Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Bem vindo ao Blog.

  



Bem vindo ao Blog Escotismo e suas historias.

Em 2009 entrei para o Facebook e algum tempo depois resolvi criar um Grupo cujo nome adotei como Escotismo e suas historias. Ele é dedicado exclusivamente ao que escrevo. Tem no momento mais de 17.000 membros participantes. Devido ao sucesso do grupo, criei então um blog Escotismo e Suas Histórias fac-símile do que tenho no Facebook. Comparativamente aos meus outros blogs escoteiros ele tem uma participação diária de admiradores do escotismo ou mesmo membros escoteiros em diversos países. Os artigos ou contos aqui postados muitos são fruto de minha imaginação e outros adotados em pesquisas tudo para colaborar na formação escoteira.

Artigos do nosso fundador estão em sua maioria postados neste blog. Agradeço a sua presença e caso queira comentar fique a vontade. Querendo entrar em contato estou à disposição no e-mail ferrazosvaldo@bol.com.br.


Muito obrigado pela presente e aceite o meu Sempre Alerta!  

Osvaldo um escoteiro  


Fim do dia. Somente lembranças...



Fim do dia.
Somente lembranças...

                       Mais um dia. Assim eles vão passando. Cada um uma experiência nova. Novos amigos, novos contatos e sabendo que o mundo gira e a roda do tempo não parar de girar. Dizem que estamos sempre aprendendo. Não importa se os anos estão passando, se eles são como as escunas que navegaram os setes mares no passado e no presente. O presente hoje é passado quando eu terminar de escrever.

                       Planos? Muitos. Escrever o quanto puder. Meu legado? Não sei. Quem sabe minhas historias. O que fazer com elas depois que eu me for? Será que poderiam servir no futuro aos novos escoteiros e escoteiras que iram chegar? Não sei. Ficarei lá de cima na espreita aonde elas foram parar.

                       O escotismo não para. Cheguei à conclusão que muitos estão fazendo um bom escotismo. Gosto disto. Gostaria de estar junto. Não vai dar. O corpo enxuto do Velho Chefe não é mais o mesmo. Passos trôpegos, bengala fazendo tic.toc. Tenho muitos convites de Grupos amigos. Até mesmo em estados distantes. Quem sabe um dia faço uma surpresa, chego na hora da bandeira e grito alto Sempre Alerta! Preciso voar novamente e sentir a alegria de uma Alcateia, de uma tropa, da meninada cantando e brincando sem parar.

                      Ainda não vi o Jornal Nacional. Vou lá e aproveito para ver o Jornal das 10 da Globonews. Ainda sem sono. Conheci há muitos anos um Preto Velho que morava nas barrancas do Rio das Velhas que não dormia. Quando ia a cidade passava pela fazenda (eu era um administrador, espécie de gerente) e ficávamos horas com ele contando causos para mim. Eu gostava de ouvir. Não sabia assinar o nome, mas tinha tantas coisas a me ensinar. E como aprendi. Não acreditei quando me disse que tinha mais de 110 anos. Afirmou-me que há mais de vinte anos não dormia. Perguntou-me porque Deus lhe deu aquela missão. Não soube responder.

                  Quando chegava a hora de ir embora virava para mim e dizia; - “Sabe seu Osvardo, quando eu morrer eu vou para o céu e lá quero dormir muito. Não sei se os anjos vão deixar”. Uma tarde passei de barco em frente a sua casa de taipa e o vi pescando. Ele tirou o chapéu de palha e fez uma reverencia. Sorri e gritei uma boa tarde. Dei uma parada e lá veio ele me contar que deste a morte de Dona Aninha morava sozinho. Nunca me falou de filhos e nem perguntei.

                 À noitinha daquele dia vieram me dizer que ele estava morto. Morrera pela manhã, sorrindo e estava sendo velado na casa do Totonho Peixe Grande (contava pataca que pescou o maior dourado do Rio das Velhas com quase oitenta quilos. Putz! Dourado danado). Impossível eu disse, eu o vi na barranca da sua casa hoje! Todos me olharam como eu fosse louco. Falar o que?  Ah! Histórias que já se foram, histórias que não existem mais. Valeu enquanto me foram dadas.

Nota - Vi uma estrela tão alta, vi uma estrela tão fria! Vi uma estrela luzindo na minha vida vazia. Era uma estrela tão alta! Era uma estrela tão fria! Era uma estrela sozinha luzindo no fim do dia. Por que da sua distância para a minha companhia Não baixava aquela estrela? Por que tão alta Luzia? E ouvi-a na sombra funda responder que assim fazia Para dar uma esperança mais triste ao fim do meu dia. (Manuel Bandeira)

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018



Papeando nas areias do Waingunga.
O Ramo Lobinho. Parte II.
O que disseram os Chefes sobre o artigo.

                 Ontem publiquei um artigo sobre o Ramo Lobinho e sua provável evasão após a passagem. Dentro das minhas ponderações não sei se me fiz claro do que os Lobos Modernos aprendem, e os Escoteiros Modernos dão continuidade. Se tivéssemos em volta da fogueira mil Akelás interagindo sobre o tema não sei o que iria acontecer. Sei que tem chefes de alcateia que buscam ideias e aprendizado, mas sei também que tem aqueles para quem os lobos da alcateia se tornam filhos. São os pais e as mães de Mowgly. Quem sabe baseados na figura de Akelá e Raksha.

                  Por outro lado é fato notório que muitas tropas ainda não estão preparadas para receber os lobinhos. Lobinhos? Esse diminuitivo é a diversão na Patrulha. Eu disse que a maioria que passa são diminuídos em sua importância e às vezes menosprezados até mesmo pelo noviço que entrou há poucos meses. Do que adiantou seus três ou quatro anos de lobo? De que adiantou suas etapas ou mesmo seu Cruzeiro do Sul?  Quem sabe você pode analisar.  

                  Quem sabe um dirigente, um formador ou um Assessor Pessoal poderiam dar subsídios para isto não acontecer. Sinceramente nem sei se estes temas são motivos nos Distritos, regiões e outras atividades nacionais.  

                Temas que poderiam ser discutidos a dois, a três ou até mesmo no Conselho de Chefes são relegados ao esquecimento. A importância é de quem escreve um bom manual, uma boa literatura dizendo o que devem fazer os chefes de lobos e escoteiros. A ideia de uma família no Grupo Escoteiro muitas vezes é esquecida ou postergada. Ouvir, escutar, perceber, entender e sentir parece não fazer mais parte no Dicionário do Grupo Escoteiro.

                Poderia eu escrever aqui centenas de artigos que poucos iriam levar em consideração. Dirigentes e formadores aqui não aparecem e nem dão sua opinião. Eles gostam mesmo é de uma boa palestra e ali em frente aos alunos se tornam a autoridade no assunto. Achei interessante postar aqui o pensamento de algumas chefes de lobo e de tropa que comentaram o artigo. Quem sabe pode trazer subsídios para uma futura avaliação dos resultados. Fiquem a vontade para discordar. (Em OF para evitar constrangimentos).

Comentários do Artigo Papeando nas areias do Waingunga. O Ramo Lobinho.

Comentários I. - Sentimos mesmo essa diferença... Nesse tempo observamos que poucos lobos seguem em frente após a passagem para outra sessão... Perdemos por vezes jovens motivados, pela chefia não entender que ele acabou de chegar e ainda tem o lobo nele e precisa ser trabalhado para tornar-se um escoteiro.

Comentários II - A grande questão é que na maioria dos grupos a alcateia atua isolada do ramo escoteiro. Ao contrário das tropas escoteira e sênior que há um vínculo maior. É comum vermos escoteiros e seniores interagindo, até porque os vínculos já foram criados na tropa escoteira. Já os lobinhos vivem totalmente a parte de tudo isso. É difícil ver essa amizade entre os lobinhos e os escoteiros. Enquanto o jovem está na alcateia ele vive uma realidade muito diferente da tropa. Quando o lobinho passa para Tropa ele não é acolhido pelos escoteiros, na verdade o pensamento é quase unânime por parte da tropa "Esse lobinho vai ver só. Ele vai se ferrar na nossa mão. Ou ele vira um escoteiro de verdade ou sai do grupo.".

Comentários III - E o resultado todos nós sabemos qual é. O grande problema disso tudo é o choque de realidade. Hoje o universo da alcateia é totalmente diferente dos outros ramos. E eu acho que a alcateia, está sim virando uma sala de aula. Não digo um jardim de infância, mas uma sala de aula. Fico cada vez mais perplexa com as atividades apresentadas hoje para o ramo lobinho. Um monte de recursos audiovisuais, papel colorido, tintas, canetas, colas, tintas, fantasias, etc... Eu fui professora primária e me sinto como se estivesse voltado à sala de aula. As crianças fazem isso à semana inteira, e quando chegam ao grupo no sábado à alcateia parece uma extensão da escola. Quando começou a evasão dos lobinhos do nosso grupo, eu fui conversar com alguns pais e a resposta era a mesma... “Ele está desmotivado”!

Comentários IV - E alguns pais bem sinceros chegaram para mim e falaram: - “Chefe, estive observando algumas atividades e elas são chatas, não atrai a criança, escotismo é natureza e não se vê mais isso”. Quando as crianças não estão dentro da alcateia, estão em atividades dentro de ginásios, cinemas, teatros, museus. Chefe... - Me disse o pai: - Isso eu faço com meu filho nos dias de chuva que não tem aonde a gente ir.  Fala-se tanto que devemos ouvir os jovens. Mas não me parece que os jovens estejam sendo ouvidos. Só se ouvem os sábios pedagogos do escotismo moderno que acreditam cegamente que estão fazendo o melhor para o escotismo e que essa é a melhor forma de atrair e manter os jovens no ME. Triste realidade a que vivemos.

Comentários V - Minha briga sempre foi essa Porque lobinhos tem que estudar pra fazer promessa escoteira? Eles já prometeram seguir uma lei, não seria apenas renovar? Porque tem menos direitos se já aprenderam a cumprir a lei e a fazerem nós e fogo e mais algumas cositas? Não ganhei a briga, pois as desculpas não me convenceram. Mas continuo a luta.

Comentários VI - Lendo com calma, vi que acabamos passando por isso na alcateia; as crianças vivem a fantasia no mundo da Jangál e quando partem para a cidade dos homens, poucos continuam. Para eles é difícil deixar a fantasia e viver a realidade.

Comentários VII - Bom dia chefe. Tenho ido a vários cursos, tudo é ensinado para cursantes. Mas porque eles não fazem como aprendem. Vejo chefes, próximos a mim, inventando coisas desnecessárias e até absurdas. E esquece-se de ensinar aos jovens o necessário.

Nota – E então, deu para tirar alguma conclusão? Eu tenho a minha e sei que você tem a sua. Mas sabe a melhor de todas? É Ver os lobos fazendo a passagem para Tropa Escoteira, ficando lá quatro anos e finalmente entrando na Rota Sênior. Quem não iria sorrir e pensar... Fiz minha parte... Valeu!
Obs. – As fotos publicadas são antigas. É possível que a maioria dos lobos já tenham feito à passagem. Espero que estejam firmes e escoteirando por aí!


domingo, 18 de fevereiro de 2018

Papeando nas areias do Waingunga. O Ramo Lobinho.



Papeando nas areias do Waingunga.
O Ramo Lobinho.

                O Ramo Lobinho não é minha praia. Fui lobinho, mas o programa na época era bem diferente do atual. Acredito que meu Balu nunca tinha lido o Manual do Lobinho de BP e nem tampouco o Livro da Selva. Ele sabia da existência de um Mowgly, de um Akelá, de Um Balu um Bagheera e uma Kaa. Sabia da Roca do Conselho e do Shery Kaan. Inventou algumas danças esquisitas e pelo menos nos incentivava a abrir um e os dois olhos com a Primeira e Segunda Estrela. Um dia apareceu com o Lobinho Cruzeiro do Sul! Ufa!

                Fui crescendo e aprendendo um “tiquitito” de nada sobre lobos atuando como Akela. Apenas dois anos. Mais tarde fui agraciado com a IM de Lobinhos e atuei dirigindo alguns cursos de lobo sempre cercado de sumidades em Mowgly que me ajudaram muito nas minhas deficiências “lobísticas”. De tempos em tempos me perguntava por que a progressão não era satisfatória já que poucos lobos permaneciam na tropa e quase nenhum passando para os seniores. Pioneiros era difícil alguns deles chegarem até lá.

                 Uma vez em um CAB de Lobos, convidei aos alunos para uma mesa redonda e trocarmos ideias sobre a passagem e a permanência futura do lobo na tropa. Alguém comentou o porquê quando um lobo passa para uma Patrulha tem menos direitos que um novato que chegou primeiro que ele e nunca foi lobo. A discussão foi boa, mas os resultados foram esquecidos. Não sei hoje, mas ouvindo Mestres em Lobismo parece que a evasão e os direitos dos lobos nas tropas ainda são permanentes.

                 Quando surgiu o Manual do Lobinho de BP, ele serviu de base para muitas alcateias que estavam começando. Contar a história do surgimento do Ramo Lobinho não é tão importante já que acredito todos os lideres de Seeonee devem conhecer de cor. Mas vejamos se naquele inicio os menores de nove anos já participavam das patrulhas, e não gostaram do programa quando foram separados quem sabe, surgiu à primeira divergência dos menores.

                  Muitos daqueles iniciantes levantaram-se contra o novo programa e alguns se intrometiam nas reuniões de tropa para serem ouvidos e poderem participar. Conta-se que os primeiros esforços para trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Os “Junior Scouts” não tiveram bons resultados. Foi nesta época que Baden-Powell resolveu tomar providencias. Foi uma tarefa árdua. Ele queria evitar que o movimento estivesse criando um Jardim de Infância.

                 B.P se preocupou e explicou em um artigo no “Headquarters Gazette” que não iria exaurir as crianças com atividades além de sua capacidade física. Em 1913 escreveu as primeiras tentativas de denominar os menores com nomes sugestivos: - Juniores Scouts, (escoteiros juniores) Beavers (castores) Wolf Cubs (lobinhos) Cubs (filhotes) Colts (potros) e até mesmo Trappers (ajudante de caçador). Ele se preocupava que o novo ramo tivesse suas próprias características e não uma versão simplificada do programa dedicado aos escoteiros.

                   A história a seguir é conhecida. Percy W. Everett a pedido de B.P. estudou um esquema provisório. O projeto incialmente foi intitulado de: “Regras para escoteiros menores”. Com o início da Guerra a maioria dos homens atendiam aos apelos do exercito e foi permitido a participação de mulheres no escotismo. Elas estavam encantadas com a ideia de que pudessem adestrar os pequenos. Foi nesta época que surgiu o braço direito do fundador no ramo Lobinho: - A Srta. Vera Barclay. Lembremos que todos esperavam o primeiro Manual do Lobinho já prometido por B.P.

                   Vera se dedicou com entusiasmo na organização do Manual do lobinho. Sua dedicação foi tanta que influiu fortemente para sua indicação como Comissária do Quartel General para Lobinhos. Porém o que veio responder a procura de Baden-Powell por algo atraente, especial, capaz de sustentar a fantasia e contribuir com a formação da criança foi o “Livro d Jângal” cuja adoção revolucionou completamente o esquema.

                  The Jungle Book (Livro da Jângal) de Rudyard Kipling foi publicado pela primeira vez em Nova York em 1904 e sua poesia diáfana e pura captou a imaginação do publico. B.P sabia da importância da imaginação para meninos mais jovens e reconheceu, nesta obra, o suporte que viria dar a eles, todo o divertimento, interesse e atividade que necessitavam e que viria também a abrir o apetite pelo escotismo.

                 Mais de cem anos se passaram. Do Livro da Jângal aos Manuais de Lobinhos muita coisa mudou. Se foi bom ou não quem deve saber são as chefes ou os chefes de lobos. Se a preocupação é com um programa para lobinhos sem estar interligado com o programa de tropa, se o ciclo de ontem não será o mesmo de hoje e de amanhã, se as alterações feitas e os programas muitas vezes infantis demais para os meninos de hoje são válidos ou não.

                 Não discuto as alterações e o desejo de muitos dirigentes de “alto coturno na UEB” fazerem alterações ou mesmo editando novos manuais. Quantos surgiram depois do primeiro de Baden-Powell? Surtiram os efeitos esperados? Os lobinhos estão devidamente preparados para uma passagem e serem recebidos na tropa como um valente Mowgly da Jângal? Ou eles serão os últimos da fila sendo sempre chamados de lobinhos, filhinho da mamãe?

               Sem menosprezar sei de alcateias e tropas que atuam conjuntamente e os resultados são os melhores. Queira ou não, acredito que temos muito a estudar para que a permanência do passante para a cidade dos homens se sinta bem na companhia um do outro. Não sei se o tema foi interessante. Quem sabe volto nele outra vez.

Nota – Um domingo sombrio levantei cedo com o horário de verão sendo exterminado, bengalei por aí e pensei: Porque o lobinho ao passar para a tropa tem menos direito do que aquele que entrou há poucos meses atrás e não foi lobinho? O que ele leva como bagagem para construir o respeito dos demais da Patrulha? Ainda o chamam de “Lobinho, filhinho da Mamãe”? E eis aqui um artigo, não o melhor, mas quem sabe muitos poderão dar suas opiniões e mostrar que eu estou errado nos meus pensamentos. Melhor Possível!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Cozinha mateira? Sei não!



Conversa ao pé do fogo.
Cozinha mateira? Sei não!

                         Temos hoje uma plêiade de bons mateiros que se divertem no campo a fazerem comida mateira. Delicia! Sei que tem gente que faz e não gosta. Manjado é o pão do caçador. E a sopa de cebola, o pão do minuto, o ovo no espeto, ovo na casca de laranja, ovo no barro, milho na brasa, maçã recheada na fogueira? E o frango no barro? A carne moída na batata cozida nas brasas do fogo de conselho? Arre! São centenas. Se deixar os mateiros Escoteiros engordam esta lista em minutos ou horas. Dizem os bons mateiros que a comida mateira escoteira é a técnica de se cozinhar sem a utilização de utensílios domésticos. É um desafio.


                  Um deles disse que esta é a comida típica dos Escoteiros nos acampamentos. Afinal preparar sua própria comida é um desafio para qualquer escoteiro. Saber improvisar, paciência para substituir as tradicionais feitas nas panelas é uma arte. (pelo menos se tem uma vantagem, evitar lavar panelas, arre!). - Nada como um bom fogo, boas achas para brasa para deleite de uma boa refeição. Adoro uma banana verde uma cebola, uma batata e enrolar o pão do caçador para depois de cozido me deliciar. Conheci patrulhas que adoravam fazer um bom churrasco. Será que vale no acampamento? Trazer de casa? Nem pensar.

                   Eu sou daquele tempo, onde a diligência passava e gritavam: Correspondência? A Wells Fargo está passando! Alguns escoteiros desciam para esticar as canelas e apreciar uma Patrulha fazendo um belo almoço de cozinha mateira. Neste tempo dos cowboys as patrulhas iam caçar tatu, rodelas bem fritinhas de uma jiboia, se ter sorte pegar uns patos e marrecos na beira da lagoa. Não pode mais? Tudo bem, mas era um manancial a disposição. Pato-do-mato, pato-criolo, pato-bravo, cairina, pato-selvagem e pato-mudo. Haja pato!

                  Claro, o respeito à natureza e a liberdade da fauna tem de existir. Mas lá onde Genghis Khan perdeu as botas não falta uma gordura de porco, um pouco de sal para fritar, cozinhar ou fazer uma bela sopa destes gostosos animais e pássaros no meio de jenipapo ou uma bela abobora achada nas milongas de um rio qualquer. Tempo das Falas Novas, seja setembro ou novembro, onde Mowgly tentava acompanhar a bicharada embriagando na primavera!

                 Uma mochila, manta, muda de roupa, material de higiene um facão bem afiado, um canivete escoteiro, uma faca mundial e pronto. Partíamos cantando a Canção do Arrebol. “Alerta Escoteiro Alerta”! Lista de mantimentos? Taxa a pagar? Meu Deus! Nem pensar. Está me acompanhando? Quer ir comigo prú campo? Use de sua imaginação e venha comigo conhecer e viver aonde o vento nos levar. Na lagoa do Epaminondas? Oba! Sempre um franguinho a disposição, era só degolar! Risos! Depois pescar traíras, bagres e pintados na sombra da goiabeira.

                 Que fartura dos ensopados. Como disse Pero Vaz de Caminha, nesta terra se plantando ou mesmo não... Tudo dá! Pode rir, mas no Rio Chorão era peixe para pegar com a mão. Zé Bigode o intendente e às vezes cozinheiro, na curva da cachoeira pegava peixes com fartura. Então gente vamos avante? Mochila nas costas sorrisos nos lábios vamos atravessar o Rio Piraçu, correnteza forte, e depois de atravessar vamos arranchar na Clareira do Guaporé. Um vai pegar lenha, outro um fogo mateiro e você Akelá procure uma colmeia e devagar sem alarde tire um ou dois favos de mel! Medo? Chame o Baloo, ele é o mestre do mel de abelha.

                 Eita campo sem graça, se não vier tempestade, se não houver trovões raios na mata este acampamento perde graça. A noite é a melhor hora. Capa no costado, fogueira acesa, bananas e cuidado com a batata doce, ela não dá de banda! Um cafezinho pru Monitor e pru gaúcho um chimarrão no ponto e bem passado! Passado? Kkkkkk. E a noite vamos pegar galinha d’angola gostosa frita ou não até demais. Vamos fazer no barro. Tiro o bucho e bem limpado, pouco de sal e gordura, meto barro nas penas e cabeça, no buraco meio fundo a fogueira produziu brasas demais. E lá vai ela, bem tampada e é só esperar para se deliciar.

                  Comida mateira? Poxa gente aqui não é boteco e nem restaurante. Vamos que vamos na floresta do Jangadeiro. Lá tem Castanha e o Açaí. E lindos pés de palmito, sem contar inhames, maracujás e folhas de Lobrobô. Não conhecem? Risos. Espere o ensopado que faço sem panelas... Está rindo? Calma. É o truque do velho chefe. Não conto para ninguém, só para quem acampa comigo risos. Pois é, comida mateira é bom demais. Tem gente que gosta e outra não. Eu fico no meu pedaço. No campo não tenho embaraço. Dá para comer? Não enjeito!

                  Sei que hoje tudo é levado da sede. Mas tem outro jeito? Não sei. Mas você que esteve comigo nesta bela viagem de sonhos aventureiros não gostou? Lembra-se do Macaquinho que pulou em seu ombro na selva do Soldado? Medo da febre amarela? Nem não! O macaco é nosso irmão.  

                  São tantas lembranças que você nunca mais vai esquecer. Comida Mateira? Comece, e em pouco tempo estará tão acostumado que vai pedir a mamãe: - (folgado... Pedindo a mamãe?) Mamãe! Hoje eu quero sopa de maracujá com folhas de Lobrobô. E não esqueça mamãe, deixe tostar bastante a Galinha D’angola feita no barro branco que encontrei que tá assando lá no quintal!

Nota - São coisas do passado, agora não mais. Mas que foi uma época boa foi e supimpa que valeu a pena ter tantas coisas para lembrar. Dizem que cada ano os novos escoteiros também fazem sua comida mateira. Tem cada tipo de dar água na boca. Fico feliz em saber, pois assim quando for um Velho como eu, irá se orgulhar do que fez e do que marcou sua vida escoteira, com vivência mateira para nunca mais esquecer.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?



Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Noviço, Segunda e Primeira Classe. Nunca mais?

                 Muitos dos novos chefes nunca ouviram falar. Outros têm uma pequena ideia e alguns passaram por elas. Pensando bem quem sabe elas hoje não teriam mais validade com as novas técnicas modernas de ensino. Por volta de 1925 o “Velho Lobo” apelido carinhoso do Almirante Benjamim Sodré, escreveu o precursor dos livros de classe para escoteiros e seniores. “O Guia do Escoteiro” foi à bíblia de muitos do que passaram no escotismo até 1954. Inclusive a minha.

               Por dezesseis anos ele passou de mão em mão nas patrulhas e tropas escoteiras. Em janeiro de 1941 exatamente na data de falecimento de Baden-Powell, passou a circular uma nova literatura “Para Ser Escoteiro” do Chefe Francisco Floriano de Paula. “Em 1961 foi convidado a dividir o trabalho em provas de classe, passando a serem três livros: - “Para ser Escoteiro Noviço” Para ser Escoteiro Segunda Classe” e “Para ser escoteiro Primeira Classe”. Em 1991 por um curto período foi introduzido algumas etapas de classe tipo múltipla escolha.

                Em 1963 a UEB reeditou os três livros do Chefe Floriano desta vez pelas mãos do Chefe Luiz Paulo Carneiro Maia e Ivan Bordallo Monteiro. Finalmente depois de diversas adaptações e alterações chegamos hoje ao Novo Programa Educativo da UEB. Não entro na validade ou não do programa. Deixo isso para os novos pedagogos que entendem mais da educação escoteira que eu. Quem sabe na minha nostalgia eu procuro ver com olhos de quem viveu naquela época. Se os jovens de hoje iriam gostar ou mesmo realizar as etapas exigidas até chegar a um Escoteiro de Primeira Classe só perguntando a eles.

                 Salto o obstáculo do Escoteiro Noviço e das exigências para a Segunda Classe. Queira ou não pular o obstáculo de cada uma dessas provas não era para qualquer um. Deveriam ser facilitadas? Acho que não. Afinal aprender a utilizar e manusear uma faca ou canivete era uma obrigação de todos os jovens acampadores. Se hoje tem um GPS naquela época existiam como hoje as estrelas, as constelações, o vento, as folhas das árvores o sol e a lua para nos dar o caminho a seguir.

                Um passo Escoteiro, um Passo duplo, saber a altura de uma montanha, uma árvore ou um rio era demais. Mas não vamos falar sobre elas. Muitos daquela época conseguiram ter em sua farda o distintivo tão sonhado de Segunda Classe. Sonhado? Não esqueçamos as especialidades. Um muro de lamentações para muitos. Não sei, mas acho diferente de hoje. Conseguir uma de Acampador, intendente, cozinheiro, socorrista ou sinaleiro era um verdadeiro desafio. Os nós os sinais ficaram para trás. Mas saber de cor a Lei e a Promessa eram ponto de honra.

                A Primeira Classe era um sonho que muitos não conseguiram realizar. Muitas das exigências eram simples, mas outras não. Era como a especialidade de Socorrista que hoje muitos desconjuram pela sua maneira rústica de executar. Veneno? Faca em brasa? Torniquete? Garrote? Tipoias? Ataduras? Pelo menos todos faziam questão de aprender e fazer.

                 Ninguém se preocupava com a exigência de quinze noites acampados, várias excursões e estar preparado para com um companheiro, fazer uma jornada de vinte e cinco quilômetros a pé. Cozinhar a própria refeição estava no ombro: - A especialidade de Cozinheiro. Percurso de Gilwell muitos aprendiam na Segunda Classe. Se fossem para o campo, amavam a natureza. A fauna, a flora, os minerais eram fatos corriqueiros. Mapas, croquis eram manuseados diversas vezes nas excursões e acampamentos.  

                 Os relatórios, os projetos, a Rosa dos Ventos, a bussola, o sol, o relógio, a lua as estrelas, indícios naturais era rotina na Patrulha. Carta Topográfica se aprendia nos Cantos de Patrulha onde uma vez por semana eles se reuniam. Fazer um esboço de um campo de Patrulha, levando em conta o vento, a cozinha as barracas e o Refeitório eram coisas de Pata-Tenra. Fossas, canto do lenhador, intendência e as artimanhas e engenhocas eram comuns nos acampamentos de Patrulha.

                 Não sei se a Primeira Classe era difícil. Conheci muitos que orgulhosamente a receberam. Eu tive esta honra. Naquela época ver uma Patrulha com um ou dois primeiras e três ou quatro segundas a gente sabia com qual Patrulha estava lidando. Foi uma época de escotismo solto, sem amarras, meninos com suas mochilas correndo pelos campos, mostrando responsabilidade, lealdade, cortesia, sinceridade e sabendo manter o autocontrole demonstrando estar à altura do nome escoteiro em sua maturidade.

                 A modernidade não pode parar. As adaptações também. Não sei se o que BP disse quando criou o método escoteiro, acreditando que todo o programa deveria ser voltado para o campo, para as atividades ao ar livre, não foram sufocadas pelas técnicas modernas de ensino. Prevejo que em breve toda metodologia Bipidiana seja absorvida pelos novos programas que irão surgir. Só espero que o objetivo de BP seja alcançado. Os resultados! O homem e a mulher em uma comunidade dando exemplos pessoais e cuja honra e caráter não havendo dúvidas que foi o Escotismo um dos principais responsáveis!

Nota – Não me meto com a nova metodologia de programas de hoje. Se antes a preocupação eram atividades mateiras hoje não. Bom isso. Os cursos hoje são mais objetivos. Temos cursos para o Escotista, para o Dirigente Institucional, a nível Preliminar, Básico e Avançado. São cursos bem diferentes, pois aprender nós, amarras e técnicas escoteiras ficaram no passado. Não existe mais necessidade. Gostei de saber do curso para chefes sobre o ECA, e o mais novo: Formando Staffs para o futuro! Não é este o nome? Desculpe.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Esquece “velhote” seu tempo não volta mais!


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Esquece “velhote” seu tempo não volta mais!

                Há dias estou praticando um repouso para minha especialidade de Velho Escoteiro Dodói. O homem do jaleco branco disse que eu preciso me cuidar. Diachos! Ainda disciplinado eu permaneço deitado, viro aqui viro ali e será que só penso naquilo? Quem sabe meus velhos amigos da década de cinquenta e sessenta podem pensar como eu? Ando meio revoltado... Que direito tem estes “mandatários” usurpador do poder, que estão mudando sem a ninguém consultar?

              Calma Chefinho... Não fica “brabinho” diz uma amiga minha. Mas eu mordendo a gengiva pergunto: - Voce aí. Sei que entrou a maneira, adora vestimenta escoteira, bate palma e aceita, aprendeu a não discutir. Disseram para você que eles são estatutários, eleitos para mudar, jurando a tudo melhorar. Sei que encontrou tudo mudado e nem sabe o que aconteceu.

                 Dizem que é um privilegiado, tem assessor que lhe assessora assessorando e fazendo assessoramento dizendo o que deve fazer. Se mandar fazer assim, sem discussão fará. Se não fizer, será aconselhado e depois admoestado e quem sabe lhe dirão que pode ir passear. Você e uma maioria, que não discute sorri, adora sua missão. Fazer de jovens de hoje excelentes cidadãos. Se você quer ser importante vai ter luta constante para ser um maioral. Vai postar suas conquistas alardear suas cobiças e pouco importa no que vai dar.

                 Chamam-me de velho senil, na calada de imbecil. Dizem que meu tempo é de farofa, chapelão e tapioca. Esfolador de galinhas e outros galináceos a mão. Paciência. Discutir prá que? Vou convencer “vósmecê”? Cuidado ao lembrar o passado, há gritos prá todo lado o chamando de caduco, esclerosado gagá decrépito e senil. São mestres em gritar pru vento. Chefinho! - Nunca mais acampamento... Acampar onde? Eita turma da preguiça, quem nem assiste uma missa, prefere se esbaldar... No pateo da sede emprestada do Grupo Escolar.

                  Vem aí à nova geração, vestimentados em ação. Uns adotam chapéu, outros boné prá trás, camisona esbaldada em cima da barrigada. E a tal meinha pretinha? Uma gracinha! Outros vão à cantina ver o que oferecem, chega de tanta rotina. Chapelão? Mochila e Vulcabrás? Ficou no tempo rapaz... Está copiando os lá do norte, uma faixa bem enorme, para ficar nos conformes e encher de especialidades mil. Dizem que vem aí o quinto e sexto taco, e para os presidentes e diretores muitos tacos a granel. Tem “Money”? Na cantina é como mel.

                 Tem novo programa vendendo como banana... Eita que lindo é o MACPRO... PIRADOS. BP foi abandonado. Chega de acampadores, copiem os novos senhores dos cursos os formadores, quadro negro, cadeira escolar e o escambal. Lobos? Têm tantas ideias, uma verdadeira mocreia, que se vivo Mowgly ira bendizer. Tem acantô de alcateia, tem belas danças modernas, dizem que o Balu vai dançar o rap Hip Hop, vai mostrar o chula, chula rebolando prá xuxu. 

                 E eu velhote adoentado, olhando prá todo lado, olho os desenhos do Gilbert e pensa com sabedoria: - Irão aparecer novos Gilberts? Novos desenhos? O que vai ficar prá história? Irei ver uma Patrulha, desbravando uma montanha? Subindo em um Jacarandá e descendo no evasão? Construindo um belo pórtico sem ter o Chefe na mão? Fazendo malabarismo em um belo comando Crow?

               Não os escoteiros do Gilbert ficaram na história. Se não me falha a memória agora é um belo camping, cadeiras espalhafatosas, barracas inteligentes, festejar e acampar... Olhando no celular... Alguém se arrisca a cozinhar? Prá que? Logo chega o marmitex ou vem um Chief contratado vai fazer bife acebolado e outros manjares na cozinha montada no lugar.

               E quem sabe eu reencarno, em uma nova geração, alguém me diz que BP foi um grande fanfarrão. Escotismo Vadico é outro. Tem muitos na eleição. Tem até um Jamboree lá nas luas de Plutão. Melhor parar por aqui. Olhar de novo o Gilbert, que soube impressionar, mostrar os escoteiros heróis no seu tempo e habitat, pois só isso fica guardado, na mente do bem fardado, empurrando à carretinha que neste mundo moderno agora não existe mais!

Sempre Alerta ou quem sabe... Be Prepared!   

Nota - Andando mais prá lá do que prá cá, cacunda tá entortada, duas pernas bem travadas, tentando manter a respiração. Como velho menino escoteiro, fico no meu canto ligeiro, fazendo recordação. Adianta? Prá mim sim Doutor Chefão. Enquanto manter o respiro, não darei meu ultimo suspiro, e no meu pé de xulê vou bebendo meu café nas asas da imaginação. Lá no meu campo amado, me sinto bem acampado faça chuva ou faça sol. E meto os dedos no teclado nas lembranças do passado que nunca mais voltarão.           



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Definição do escotismo. - Por Baden-Powell.


Definição do escotismo. - Por Baden-Powell.

- Pelo termo «Escotismo» designa-se o serviço e atribuições dos escoteiros, exploradores, caçadores, marinheiros, aviadores e pioneiros. O Escotismo é uma escola de cidadania por meio da arte da vida nos bosques. O Escotismo é uma sugestão para uma alegre diversão ao ar livre, lançada por acaso, e que acabou por revelar-se também um contributo prático para a educação.

Eis algumas das coisas que o Escotismo não é:
- Não é uma organização de caridade para ser dirigida por pessoas da alta sociedade para benefício das crianças pobres; - - Não é uma escola com programas definidos e critérios de exame; - - Não é uma brigada de oficiais e soldados onde, à força de paradas e formaturas, se inculca virilidade nos rapazes e moças; - Não é um espetáculo onde se obtêm resultados superficiais por meio de uma remuneração em insígnias de competência, medalhas, etc. Todas estas coisas vêm do exterior, enquanto a formação escoteira vem de dentro para fora.

- O Escotismo é um jogo de rapazes, sob a direção de rapazes, em que os irmãos mais velhos podem oferecer aos mais novos um ambiente saudável e encorajá-los a praticar atividades saudáveis, que os ajudarão a desenvolver o civismo. O Escotismo não é uma ciência para estudar com solenidade, nem um conjunto de doutrinas e textos. Nem é, tão pouco, um código militar graças ao qual se instale disciplina nos rapazes ou se reprima a sua individualidade e' iniciativa, à custa de formaturas e de exercícios repetitivos.

- Não o Escotismo é um alegre jogo ao ar livre, onde moças e rapazes podem, em conjunto, entregar-se à aventura como irmãos mais velhos e mais novos, colhendo saúde e felicidade, habilidade manual e espírito de serviço. Todo O Movimento (dos Escoteiros e das Guias) pode definir-se resumidamente como uma fraternidade mundial de Serviço. Sim, o Escotismo é um jogo. Mas por vezes ponho-me a pensar se, com toda a nossa literatura, regulamentos, inquéritos no The Scouter, conferências, cursos de formação para Comissários e outros dirigentes, etc., não parecerá que estaremos a fazer dele um jogo demasiado sério.

- Se lhe tivéssemos chamado o que ele era, a saber, «Sociedade para a Propagação das Qualidades Morais», o rapaz não se teria propriamente precipitado para aderir. Mas chamar-lhe escotismo e dar ao rapaz a oportunidade de se tornar um explorador em embrião, foi algo completamente diferente.

- Toda a finalidade do Escotismo, é pegar no caráter do rapaz na fase em que o entusiasmo está aquecido, forjá-lo devidamente e promover e desenvolver a sua individualidade - de modo que o rapaz se eduque a si mesmo para se tornar homem reto e cidadão prestável para a sua pátria. A finalidade da formação das Guias é dar às nossas moças, qualquer que seja a sua condição, uma série de atividades saudáveis e divertidas que, ao mesmo tempo em que fazem as suas delícias, lhes proporcionarão uma educação extraescolar em quatro domínios particulares:
- carácter e inteligência
- aptidão técnica e habilidade manual,
- saúde física e higiene
- serviço aos outros e solidariedade.

- A finalidade do Movimento das Guias é ajudar os pais, os professores e os pastores, facultando o ambiente desejável e atividades saudáveis fora da escola. A formação escoteira tende a fazer dos rapazes homens melhores - aliás, a fazer deles verdadeiramente cavalheiros que, na definição de Bernard Shaw, são aqueles que não esperam obter do mundo mais do que aquilo que lhes dão. A finalidade da formação escoteira é melhorar o nível dos nossos futuros cidadãos, especialmente no que diz respeito ao carácter e à saúde; substituir o egoísmo pelo serviço, tornar os moços individualmente capazes, moral e fisicamente, com o fim de aproveitar essa capacidade para servir os seus semelhantes.

- A nossa finalidade no Movimento é dar toda a ajuda que pudermos à construção do Reino de Deus na Terra, inculcando entre os jovens o espírito e a prática diária da boa vontade desinteressada e da cooperação. A intenção do Movimento dos Escoteiros e das Guias é formar homens e mulheres como cidadãos possuidores de três dons fundamentais: Saúde, Felicidade e Espírito de serviço. A nossa finalidade é educar a próxima geração como cidadãos úteis e senhores de vistas mais largas do que as gerações anteriores, e desenvolver assim a paz e a boa vontade por meio da camaradagem e da cooperação, em substituição de rivalidade prevalecente entre classes, religiões e países que tantas guerras e convulsões tem produzido.

- Consideramos todos os homens como irmãos, filhos do mesmo Pai, aos quais a felicidade só pode chegar por meio do desenvolvimento da tolerância e da boa vontade recíprocas - isto é, do amor. O nosso objetivo último é criar homens viris para os nossos respectivos países, fortes de corpo, de mente e de espírito; homens em quem se possa confiar; homens que saibam enfrentar trabalho duro e também tempos difíceis; homens que saibam decidir por si próprios, sem se deixarem levar pela sugestão das massas; homens que saibam sacrificar muito do que é pessoal em prol do interesse mais vasto da nação.

- O seu patriotismo não deve ser estreito e mesquinho; pelo contrário, com a sua visão mais ampla, eles deverão ser capazes de ver com compreensão e simpatia as ambições dos patriotas de outros países. Não deixes a técnica sobrepor-se à moral. O desembaraço em campo, a arte do explorador, o campismo, as expedições, as boas ações, os Jamborees, a camaradagem, tudo isso são meios, não o fim de a atingir. O fim é o caráter - caráter com um propósito.

E esse propósito é que a próxima geração seja dotada de bom senso num mundo insensato, e desenvolva a mais elevada concretização do Serviço, que é o serviço ativo do Amor e do Dever para com Deus e o próximo. O Escotismo visa ensinar aos rapazes como viver, não apenas como ganhar a vida.


Nota - Este artigo escrito por Mario Sica em 1981, com o título de “Rastros do Fundador” e elogiado por Laszl Nagy Ex-Secretário Geral da WOSM e esplendidamente prefaciado por E.W. Gladstone (Chefe Escoteiro Inglês) foi por mim copiado sem modificações. O condensado tem mais de 31 páginas e brevemente irei colocá-lo a disposição dos interessados. A maneira de escrever de Baden-Powell permanece sem alterações. Vale a pena ler apesar de extenso.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Um poema... Uma reunião e nada mais...


Um poema... Uma reunião e nada mais...

                        O dia amanheceu, meninos e meninas correndo para suas reuniões, fardados, uniformizados e vestimentados lá vão eles sempre sorrindo. Quem sabe vai haver fogueira bem faceira, ou um joguinho dos bons e se for no campo um cafezinho forte feito em um tripé no ponto para segurar a chaleira? E quem sabe lá no meio da reunião um Escoteinho pega no seu violão e todos começam a cantar? Só de lembrar eu pisco de leve as sobrancelhas e no meu olhar imagino tantos ao meu redor: Milhares deles que se revezam neste belo sábado para continuar domingando nas reuniões que vão tomar. Saudades que ficam saudades que passam, eu passei nas sombras do passado com imensa vontade de ficar. Ótima reunião para todos vocês!

Despedida de Vital.

Lua cheia... Na choça a que se apega,
Morre Vital, velhinho, olhando o morro...
Por prece, escuta a arenga do cachorro,
Ganindo nas touceiras da macega.

Pobre amigo!... Agoniza sem socorro,
Chora lembrando o milho na moega...
Oitenta anos de lágrimas carrega
Na carcaça jogada ao chão sem forro.

Suando, enxerga um moço na soleira,
- “Eu sou leproso...” – avisa em voz rasteira,
mas diz o moço, envolto em luz dourada:

- “Vital, eu sou Jesus! Venha comigo!...”
E o velho sai das chagas de mendigo
Para um carro de estrelas da alvorada.


Autor desconhecido.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Conversa ao pé do fogo. Pioneirando por aí!


Conversa ao pé do fogo.
Pioneirando por aí!

Ramo Pioneiro.
O Clã Pioneiro é o ramo escoteiro em que ficam os jovens adultos de 18 a 21 anos (comentam que pode passar para 26 anos) incompletos de ambos os sexos. O programa educativo e as etapas do pioneiro ou da pioneira visam aumentar a integração do jovem ao mundo, voltando-se ao serviço a comunidade e o exercício de cidadania com base nos valores da Promessa e Lei Escoteira. O lema pioneiro é SERVIR. A unidade onde ficam os pioneiros e pioneiras é chamado de Clã. O Clã Pioneiro pode ser masculino, feminino ou misto. (Clã é um grupo de pessoas unidas por parentesco, que é definido pela existência de um ancestral em comum. Clã significa crianças em gaélico escocês, também chamada de clannad, que significa família).

                O Clã é orientado por um Mestre Pioneiro e/ou uma Mestra Pioneira que podem ter seus assistentes. A Comissão Administrativa do Clã ou o Conselho do Clã é a autoridade para tratar de todos os assuntos internos de administração, finanças, disciplina e programação. O Mestre Pioneiro detém o poder de veto, que deverá exercitar em casos excepcionais de forma a balizar as atividades dentro dos princípios do Escotismo.

Como surgiu.
                  A guerra de 1914, entretanto, impediu que a Sociedade se desenvolvesse. Ao término da guerra, o problema dos jovens assumiu importância maior, por causa dos que descobriram a existência do Escotismo, mas já haviam ultrapassado a idade de 16 ou 17 anos de idade. Assim, em setembro de 1918, foi escrito um folheto intitulado "Regulamento dos Rovers" (Pioneiros), dentro do Movimento Escoteiro. Em 1920 foram publicados, em duas partes, "Notas sobre o Adestramento dos Rovers". O passo seguinte, importante para o desenvolvimento do Pioneirismo, foi à publicação por Baden Powell de seu livro "Caminho para o Sucesso", com o objetivo de estimular, inspirar e aconselhar os Pioneiros.

Objetivos.
O Pioneirismo é "uma ação ativa e efetiva sobre todos os componentes da estrutura individual" porque cria condições, no sentido de desenvolver, no jovem, os valores referentes à reflexão, à ação e à avaliação, utilizando, para isso, o Clã como meio.

A Forquilha Pioneira.
A "Forquilha Pioneira" encerra, no seu simbolismo, o firme propósito do Pioneiro Investido de continuar enriquecendo o processo de sua vida por pensamentos e ações melhores, razão porque, o Mestre Pioneiro deve incentivar aos jovens que entram no Clã a se tornarem Pioneiros Investidos, possuindo, cada um, a sua Forquilha. A Forquilha é feita de um galho de árvore e se constitui de quatro partes:
Ponteira: na parte inferior da haste, representa, simbolicamente, a base de toda a vida do Pioneiro, ou seja, seu caráter sem mancha;
Haste: representa o caminho reto que o Pioneiro deve palmilhar, em sua vida, como homem de caráter, consciente de suas responsabilidades;
Nós da haste: são dificuldades, os obstáculos a serem transpostos no seu caminhar pela estrada da vida;

V da forquilha: simbolicamente, é a vitória, coroando uma vida dignificante, honesta, proveitosa.
Virtudes Pioneiras X Leis Escoteiras.
- VERDADE. O Escoteiro tem uma só palavra; sua honra vale mais do que a própria vida.
- LEALDADE. O Escoteiro é leal.
- ALTRUÍSMO. O Escoteiro está sempre alerta para ajudar o próximo e pratica diariamente uma boa ação.
- FRATERNIDADE. O Escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais
- PERFEIÇÃO. O Escoteiro é cortês.
- BONDADE. O Escoteiro é bom para os animais e as plantas.
- CONSCIÊNCIA. O Escoteiro é obediente e disciplinado.
- FELICIDADE. O Escoteiro é alegre e sorri nas dificuldades.
- CONSCIÊNCIA. O Escoteiro é econômico e respeita o bem alheio.
- PUREZA. O Escoteiro é limpo de corpo e alma.

A origem do lema “Servir” do Pioneiro.
O Lema Pioneiro "SERVIR" foi adotado por B.P. com base no escudo de armas do Príncipe de Gales, título que até hoje é utilizado pelo futuro herdeiro da Coroa Britânica. Se observarmos atentamente o escudo, nos depararemos com um detalhe curioso: a inscrição que se encontra no liste diz "ICH DIEN", que não é um termo da língua inglesa, mas do alemão antigo. Esse escudo pertencia ao rei João de Luxemburgo, filho do Imperador Henrique VII, da Prússia (atual Alemanha). O rei João foi morto na batalha de Crecy quando combatia a Inglaterra, que estava sob o comando do filho do Rei da Inglaterra, chamado de Príncipe Negro.


                    Terminado a batalha de Crecy, os estandartes ingleses anunciavam a vitória do Príncipe Negro, que cavalgando pela arena, encontrou o corpo do Rei morto. Sendo informado dos pormenores da morte do Rei, ficou impressionado com a nobreza e dedicação de João, pelo que decidiu levar seu escudo daquele lugar. Tempos depois, o escudo do Príncipe de Gales estava formado por uma coroa adornada por três plumas de avestruz, em posição assemelhada de uma flor de lis, tendo na parte inferior um listel com os dizeres "ICH DIEN", "EU SIRVO", em língua alemã. B.P. considerou que a herança que guarda a palavra "SERVIR" é digna de ser portada por todos aqueles que, em suas ações e palavras, demonstram, com orgulho e honra o espírito de ser um Verdadeiro Pioneiro.

Nota - - Pioneirar? Claro se existe o lobear e o escoteirar porque não Pioneirar? Eles estão aí por todo lugar. Pioneiros e Pioneiras vivenciando ainda o escotismo no seu lema Servir. Como é que cantam? – “Em uma montanha bem perto do céu se encontra um lago azul que só o conhecem aqueles que têm a dita de estar em meu Clã”! – lindo não? E tem mais: - A sede de riscos que nunca se acaba, as rochas que hei de escalar O rio tranquilo que canta e que chora jamais poderei olvidar” - “A noite sentado ao pé da fogueira, crepita a alma escoteira, Pioneiros meditam, definem a trilha e fazem a sua vigília”. Ops! Venha ser um Pioneiro do Brasil!