Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Bem vindo ao Blog.

  



Bem vindo ao Blog Escotismo e suas historias.

Em 2009 entrei para o Facebook e algum tempo depois resolvi criar um Grupo cujo nome adotei como Escotismo e suas historias. Ele é dedicado exclusivamente ao que escrevo. Tem no momento mais de 17.000 membros participantes. Devido ao sucesso do grupo, criei então um blog Escotismo e Suas Histórias fac-símile do que tenho no Facebook. Comparativamente aos meus outros blogs escoteiros ele tem uma participação diária de admiradores do escotismo ou mesmo membros escoteiros em diversos países. Os artigos ou contos aqui postados muitos são fruto de minha imaginação e outros adotados em pesquisas tudo para colaborar na formação escoteira.

Artigos do nosso fundador estão em sua maioria postados neste blog. Agradeço a sua presença e caso queira comentar fique a vontade. Querendo entrar em contato estou à disposição no e-mail ferrazosvaldo@bol.com.br.


Muito obrigado pela presente e aceite o meu Sempre Alerta!  

Osvaldo um escoteiro  


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro. Memórias de uma patrulha.

Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Memórias de uma patrulha.

Nonô.
- Sentado no banco embaixo do toldo na área de refeições, olhava com carinho seu campo de Patrulha. Ele sabia que ali era a extensão de sua casa e tinha a obrigação de dar todo o conforto para viverem no acampamento sem ostentação. Como Monitor sabia que tudo ali fora um trabalho de equipe, onde cada um deu seu aval e agora poderiam viver por três dias com se estivem em casa. Cada um mereceu pelo trabalho que fez. Ele se orgulhava da Patrulha Tigre. Sabia que mais seis meses iria para Sênior, deixaria muitos amigos, mas ele havia os preparado para fazer a patrulha andar mesmo sem ele. Viu ao longe Marcus pescando no lago. Sabia que boa coisa iria acontecer.

Marcus.
- Ele gostava de pescar. Aprendeu com seu pai e na Patrulha todos sabiam que ele iria trazer sempre um pescado para as refeições. Escolheu um bom lugar em volta do lago e sabia que pelo menos alguns lambaris e quem sabe uma traíra eles iriam ter nas próximas refeições feita por Josiel. Ele ajudou a fazer as duas fossas e deu uma mãozinha para levar até a arena da bandeira um tronco já seco que encontram na mata. Deu para montar um excelente mastro onde iria balançar no alto a do Brasil, a do Estado e a do Grupo. Ele estava na Patrulha há dois anos. Ficou amigo de todos e sempre estavam juntos mesmo quando não estavam escoteirando. Afinal era o Bombeiro e lenhador e porque não o pescador?

Josiel.
- Olhou seu fogão com carinho. Quantos caíram quando estava cozinhando? Sorria ao lembrar. Era como o Chefe dizia: - Tem de errar para aprender. Um pequeno fogo para o barro secar. Assim ficaria mais firme para fazer o jantar. Duas bolsas de lonas cheias de água estavam penduradas no porta-treco. A lenha já havia sido colhida e guardada. Algumas achas embaixo do fogão. As demais em local próprio onde era o lenheiro. Mesmo com os olhos marejados pela fumaça ele sorria. Gostava de ser o cozinheiro da Patrulha. Até o Monitor tinha respeito por ele. Lembrou o dia que Tomé o intendente disse que ele era o mais importante na Patrulha.

Tomé.
Quando entrou era o Bombeiro/lenhador. Sempre foi obediente e disciplinado. Gostava da Patrulha, pois eram uma equipe onde todos dividiam as tarefas. Quando Nonato foi para os seniores ele pediu para ser o Intendente. Ele sabia que era uma grande responsabilidade. Cuidar da tralha, do material de sapa e das barracas era uma função para poucos. Mas ele sabia que daria conta do recado. Mesmo no acampamento ele não tirava os olhos dos demais quando utilizavam alguma ferramenta na intendência. Sabiam todos que ele tinha de prestar contas ao Monitor no final do acampamento. Nada poderia faltar. Lembrou-se de Josué o Bombeiro Lenhador novado que deixou um facão fora do campo. Riu do fato ao lembrar.

Josué.
- Não era um noviço. Já tinha um ano e meio de Patrulha. Diziam que ele ainda era um pata-tenra. Passou para os escoteiros e se orgulhava de ter sido um Lobinho cruzeiro do sul. No início todos se preocuparam e ficavam do seu lado em todas as atividades que faziam. Ele sabia que ainda não era um veterano como os demais, mas iria chegar lá. Nunca reclamou de sua função. Conhecia a lenha boa para o fogo, sabia que quando molhada o interior estava seco. Nunca se perdeu ao ascender o fogo e sabia com perfeição manter a água colhida sem perigo de insetos. Gostava de ser almoxarife e ajudante do cozinheiro. Fez uma grande amizade com Totonho o Sub Monitor. Chegou mesmo a sonhar em substitui-lo quando Nonô fosse para os Seniores. O tempo iria ajudar.

Totonho.
- Nunca reclamou na Patrulha. Quando foi escolhido por Nonô para ser o seu sub pensou se daria conta do recado. Não foi difícil. A Patrulha era unida e Nonô fazia questão da fraternidade e união. Sorria ao pensar que aprendeu a fazer grandes pioneirías. Não foi fácil. Quando construiu a ponte Pênsil pensou que não ia dar certo, mas deu. O Ninho dos Falcões foi outra aventura bem maior que o Ninho de Águia. Tinha um amigo que o ajudava em tudo mesmo sendo o Escriba. Noel sempre fora o intelectual da Patrulha.

Noel.
- Nunca foi esnobe com seus companheiros. Quando nasceu diziam que com um ano já lia livros que assustavam sua mãe e seu pai. Superdotado? Assim falavam sobre ele. Escrevia, contava histórias de grandes homens do Brasil e do mundo. Quando começou no escotismo como lobo se sentiu meio por fora. Sabia muito para sua idade e nem sempre foi bem entendido pelos chefes da Jângal.  Queria “tirar” o Lis de Ouro, mas só Nonô tinha conseguido. Tinha receio que os demais o olhassem diferente e pensassem que ele queria ser o melhor de todos. Sempre se aconselhava com o Chefe Falcão. Tinha por ele o maior respeito.

Chefe Falcão.
- Nunca foi escoteiro. Era um dos seus arrependimentos e logo que surgiu oportunidade entrou para os escoteiros e nunca se arrependeu. Aprendeu fazendo e errando conforme o método bipidiano. Amava sua tropa. Não havia escoteiros especiais para ser protegido. Todos para ele eram iguais. Nunca dizia meu escoteiro, meu Monitor meu cozinheiro. Nos seus oito anos de tropa aprendeu com muitos monitores como agir e como tratar a cada um. Quando recebeu a IM prometeu dar mais do que sabia aos seus jovens. – Diziam que ele sempre foi o mesmo Chefe tendo a IM. Nunca aceitou convites a não ser para colaborar com um ou outro Chefe escoteiro.


Apenas uma apresentação da Patrulha Tigre e seus escoteiros. Ate mais.

nota - Memorias de uma Patrulha são lembranças de patrulheiros que tiveram orgulho nas suas funções e a desempenharam com alegria. Eles sabiam que cada um dependia do outro para que tudo corresse bem no campo de Patrulha. Se você meu amigo ou minha amiga passou por esta fase no escotismo sabe que as lembranças ficam marcadas para sempre. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Crônica de um Velho Chefe Escoteiro. A Corte de Honra.


Crônica de um Velho Chefe Escoteiro.
A Corte de Honra.

             Era meu antigo Chefe. Convidou-me para ir com ele ao Campo Escola aonde iria se encontrar com um amigo e dar uma carona em seu retorno. Eu gostava de ir lá, o verde completava as diversas cores diante dos olhos e ofuscava a quem vivia na cidade de pedra. Era como se fossemos transportados do nada para um paraíso, já que não fazíamos parte da coreografia estática, mas que se movimentava em plena natureza com a brisa gostosa de um final de janeiro e dava um sabor todo especial aquele bosque e a floresta que se avistava ao longe.        

             Sempre que estive lá eu me transformava. Era como se meu espírito fosse transportado para um éden feito de jardins e flores. Era gostoso mudar de ar, sentir a brisa da floresta o silencio reinante dentro daquela cidade de pedra. Ali me sentia realizado. De tudo daquela floresta no campo escola se mantinha viva a natureza, que era preservada, apesar de algumas construções de pedra e tijolos destoarem do local. Tudo ali tinha o sabor doce e suave da elevação do espírito no mais alto grau que ele pudesse alcançar naquele momento mágico.

            O meu Chefe me convenceu a ir lá. Ele também como eu, gostava do local e quem sabe, encontraria outros amigos para uma conversa amena. Chegamos cedo e o Curso ainda não havia encerrado. Estava atrasado em “algumas horas”. Um dos membros da equipe veio ao nosso encontro, e saudou o meu chefe convidando-o a conhecer os demais na Sala da equipe. Ao passar pelos alunos cursantes, sem chamar a atenção, ele perguntou se podia ficar ali alguns instantes, ouvindo o que era transmitido a todos pôr um DCIM, que ele conhecia bem. Sentou-se em um banco de madeira, um pouco afastado. Sentia-se em casa. Outros da equipe se juntarem a ele.

            O tema da palestra era interessante. Corte de Honra. A sessão devia ter começado há pouco tempo e o Adestrador tentava a sua maneira, explicar como funciona e como deve ser a participação dos Monitores. Tentava mostrar que ela não era uma Reunião de Monitores e nem parecida com a reunião de Patrulha. – Corte de Honra, - dizia - é um órgão que se reúne ordinariamente ou extraordinariamente quando se faz necessário. Não vou entrar em detalhes sobre datas, participantes ou mesmo responsabilidades. Isto vocês poderão ver na literatura especifica. - Ela existe para dar uma dimensão da democracia, direitos e deveres do cidadão, responsabilidade e julgar de maneira clara temas que poderão ser do interesse da Tropa ou mesmo, quando a tropa se sentir prejudicada. Ela existe para tomar decisões sabiamente. Isto para o jovem irá servir como exemplo quando adulto.

            A palestra continuou na parte que eu julgava mais importante. Durante uns dez minutos, foi explicado suas finalidades, duração, como seria a presença do chefe. Foi uma palestra interessante, e ao seu final, o meu chefe fez questão de ir cumprimentar o DCIM, apesar dos dois não terem um relacionamento formal, pois praticamente não se conheciam.

            No retorno, não conversamos sobre o assunto. Isto poderia influir no jovem Escotista que estava conosco e havia participado do curso. Quando o levei até sua residência, também ele nada comentou. Como estava com pressa, deixei para outra ocasião e quem sabe, qualquer dias deste ele pudesse complementar o que para mim era obvio, pois participava sempre da Corte de Honra da tropa em que colaborava e achava que não tinha nenhuma dúvida sobre ela.

            Em um dia de reunião de Tropa, eu estava na sala da chefia, tentando rascunhar um programa fornecido pelas monitoras, de uma atividade noturna a pedido de uma das chefes da Tropa Feminina e aceitei. Gosto de ajudar. Foi então que ouvi conversas na sala ao lado, e notei que Três Monitoras, acompanhadas de suas submonitoras e duas chefes, estavam em reunião de Corte de Honra, e que pelo visto, deveria ser extraordinária. Senti-me deslocado, mas minha saída abruta iria prejudicar o andamento e a curiosidade me fez continuar onde estava.

            A informalidade das moças mostrava que a Corte teria um final previsível. Pela maneira como a Presidente conduzia, era notório que os assuntos tinham sido discutido em Patrulhas e às decisões seriam acatadas de maneira satisfatória. Um deles, porém, levou mais tempo do que o necessário e somente naquele caso houve intervenção da chefia. Algumas monitoras solicitaram que fosse aprovado a participação dos monitores da Tropa masculina na atividade noturna do próximo sábado. Uma das monitoras se mostrou contra assim como outras duas submonitoras. Cada uma apresentou sua versão e mesmo assim, houve um empate técnico. Durante todo o tempo às chefes não falaram.

            A presidente pediu a opinião das chefes e elas foram contrárias. Sem desmerecer a idéia, ela comentou do interesse de uma das monitoras em namorar um dos monitores e isto foi que forçou a aceitação da maioria. Como era uma atividade específica da Tropa feminina, não haveria como aceitar a participação dos monitores, pois não havia nenhuma finalidade que pudesse explicar tal solicitação. Afinal, o que eles poderiam colaborar num programa já feito, somente para moças? - Claro que teriam a participação de elementos masculinos, mas isto para segurança e que tinha sido determinado pelo Chefe do Grupo. Iriam dois pais e um Assistente Sênior.

           Aceitar a participação dos monitores seria um contra-senso. Não ouve unanimidade, e nesta hora prevaleceu à decisão da Chefe. Foi servido um suco com biscoitos, conversaram mais um pouco sobre repetir ou não alguns jogos e a reunião foi encerrada com a assinatura de todos os presentes, isto é claro, após ter sido lida a ata e aprovada, para satisfação da escriba da Corte de Honra.


            Terminei minha tarefa, e após entregá-lo a Chefe, fui embora para casa, pensando nas vantagens da Corte de Honra e de sua validade no Adestramento como forma de cidadania.

nota: - Corte de honra. Formal ou informal? Alguns dizem que todos devem se portar como em uma Corte, com respeito, sem falar alto ou mesmo com gírias e outras maneiras da juventude hoje. Outros dizem que a informalidade faz parte da camaradagem, da fraternidade sem faltar com o respeito devido. Acho que em ambos os casos tem certa razão. Se a Corte de Honra funciona bem se os monitores e subs convidados se sentem bem, não há o que discutir. E você? Se é Chefe escoteiro como é sua Corte de Honra? 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Lembranças gostosas demais. Luar do sertão.


Lembranças gostosas demais.
Luar do sertão.

                Era uma casinha pequena, pintada de branco, cheia de flores em volta. Cercada por centenas de árvores não muito altas. Buriti, Jatobá, Pequi, Pau Terra, Tingui e tantas outras. Terra de cerrado. Ela tinha dois quartos. Eu e Célia em um e os quatro meninos em outro. Uma salinha de nadinha com uma poltrona, uma cômoda com um pequeno rádio a pilha e mais nada. Uma cozinha estreita. Eu mesmo com a ajuda do Mané Vaqueiro e Antonio Tratorista construí um puxadinho atrás. Um fogão de barro, um forno de barro de onde saia gostosuras de bolos, biscoitos deliciosos e assados. Era de piso de terra batida e bancos toscos. Na frente da casa uma diminuta varanda. Uma cadeira de balanço e dois bancos de madeira.

                Muitos jarros de plantas e centenas de bromélias, rosas brancas e vermelhas e outras que faziam um jardim florido em volta exalando um perfume inesquecível. Célia gostava. Ao lado, uns quarenta passos ela fez uma horta. Tomates, couve, repolho, pés de mandioca, cebolinha, batata doce, alface, pés de mamão, goiaba, taioba (adoro) e muito mais. Nos fundos há uns oitenta metros um chiqueirinho. Sempre com dois ou três capados no ponto. Mais a frente o galinheiro. Como tinha galinhas nossa senhora! Celia colhia tranquilamente uma a duas dúzias de ovos por dia. Franguinho a molho pardo uma vez por semana. Amigos da cidade adoravam quando aparecíamos com cestas enormes de verdura e ovos.

                  Como a gente era feliz. Sem preocupações das grandes cidades. Durante o dia o passear dos avestruzes, das galinhas d’angola, um ou outro veadinho que passava correndo, passarinhada que escureciam o céu fazendo um espetáculo fantástico. Na época certa as cigarras faziam a festa. À noite então! Coisa linda! Quando se aninhavam em frente a minha casa os vagalumes aos milhares eu apagava a luz. (Luz de gerador ligado só à noite). Não precisava, pois eles os vagalumes davam conta. Um espetáculo digno de se ver.

                No porto da fazenda um belo barco a motor. O Rio das Velhas ficava próximo ao grotão onde uma pequena cachoeira embelezava o rio cheio de esplendor. Na piracema todos ficavam boquiabertos com os pulos dos peixes querendo subir a corredeira. Descendo uns três quilômetros o Rio abraçava o Velho Chico. O Rio São Francisco. Gente, minha mente mexe comigo ao lembrar. – Célia quer comer um peixe? – Marido traga um pequeno, não tem mais lugar na geladeira. Geladeira movida a gás. Sempre cheia, carne de porco de vaca, de frango até de tatu e capivara. Meu cavalo sempre arriado. Sem pestanejar eu saia para pescar e trazia um dourado ou um pintado. Coisa de trinta minutos. Conversa de pescador? O Escoteiro tem uma só palavra!

                  Milhares de cabeça de gado. Quase dez mil. Cria recria e engorda. De manhã correr as curralamas para anotar os novos bezerrinhos que chegavam ao mundo e depois ir vaquejar nas largas e a tarde tratorar um pouco nos piquetes da curralama. Leite à vontade, de graça aos que espichassem uma viagem até um dos currais. Célia adorava. Queijo, requeijão doces, manteiga, bolos e tantas guloseimas que é melhor nem lembrar. Dormia-se de janela aberta, o som de um veículo era considerado intruso na área. Agua à vontade, até uma pequena piscina nós fizemos para a filharada. Hoje quando meus filhos me visitam e lembram-se dos tempos na fazenda à gente vê nos seus olhos algumas lágrimas de saudade de um tempo que ficou marcado neles. A cidade de Pirapora ficava a menos de vinte quilômetros.

                         Vovó Lavínia era uma grande amiga. Tinha o apelido de Vovó, mas era pouco mais velha que eu. Era uma Akelá de um grupo Escoteiro da Capital. Nunca se esqueceu da gente. Foi fazer uma visita de uma semana. Ficou lá duas. Só foi embora porque o colégio que ela lecionava mandou um telegrama raivoso. Risos. Não sabia que ela conversava com a natureza. Vi com estes olhos que a terra há de comer que a vi uma tarde acariciando o pêlo de um pequeno veadinho. Selvagem é arisco que só vendo. Eu a vi várias vezes conversando com os avestruzes que lá faziam sua morada. E olhe que eles eram também ariscos.

                    Deixar alguém tocá-los? Nem pensar, mas ela tocava. Eu na verdade nunca tinha visto ninguém fazer isto, mas Vovó Lavínia tinha lá seu encantamento. Levei o maior susto quando vi uma cobra enorme que não identifiquei atrás dela. Gritei para ela correr, ela parou olhou para a cobra que se enrolou toda. Vai dar o bote pensei. Impossível, Vovó Lavínia agachou olhando e sorrindo para o réptil e parecia falar ou sussurrar para a cobra. Instantes depois a cobra sumiu no meio do mato e foi embora. Desculpem é verdade.

                 Uma noite sentados na varanda, filharada dormindo ela pôs os dedos na boca e pediu que eu e a Celia fizéssemos silêncio. – Escutem falou baixinho! As estrelas estão cantando no céu! Gente, na fazenda havia o mais belo céu que tinha visto em minha vida. E olhe que estive em milhares de lugares por este mundão de Deus. Não precisava contar, eu sabia que tinha bilhões e bilhões de estrelas no céu. Uma via láctea que marcava qualquer um. Fizemos silêncio. Olhávamos para o céu. Ouvimos um som calmo e refrescante como a brisa da madrugada. Se foi o cantar das estrelas não sei, mas o som, as estrelas brilhantes, o vento calmo e ali ou acolá um vagalume tornaram aquela e outras noites parte de minhas lembranças nunca mais esquecidas, parte da minha vida. 


                 Quando ela foi embora sentimos uma tristeza enorme. Um vazio grande. Tentei várias vezes ouvir as estrelas cantarem. Nunca mais. Acho que preciso de mais tempo nesta e em outra vida para poder ouvir o cantar das estrelas. É eu era mesmo feliz e não sabia. Daria tudo para voltar no tempo. Mas o tempo não para. Dele só fica as lembranças, gostosas, incrivelmente belas para que possamos continuar a labuta nesta vida.

nota - Uma das coisas mais belas da vida é olhar para o céu, contemplar uma estrela e imaginar que muito distante existe alguém olhando para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e murmurando baixinho: "Que Saudade". Lembranças, belas lembranças quando gerenciei uma Fazenda no Norte de Minas. Inesquecível, até hoje sinto falta daqueles tempos... Daqueles momentos!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

AMBIÇÃO Por Baden-Powell. A ambição de fazer o bem é a única que vale.


AMBIÇÃO
Por Baden-Powell.
A ambição de fazer o bem é a única que vale.

Saindo um pouco da minha rotina de histórias eis-me aqui para postar um pequeno artigo escrito por Baden-Powell que vale para todos que praticam o escotismo. Que tenham um ótimo dia e uma vida escoteira cheia de amor paz e alegria fraterna.

AMIZADE.
A amizade é como um boomerang; tu dás a tua amizade a um dos teus companheiros, e depois a outro e a outro ainda, e eles retribuem-te com a sua amizade. Assim, a tua amizade e boa vontade iniciais vão-te fortalecendo à medida que vão sendo transmitidas aos outros, e acabam por regressar a ti, em retribuição, tal como o boomerang regressa à mão de quem o lança.

Se não tiveres medo das pessoas que encontras nem sentires antipatia por elas, também elas, da mesma maneira, não te recearão nem desconfiarão de ti e terão tendência para gostar de ti e serem tuas amigas.

AMOR VS. MEDO OU ÓDIO:
A liberdade acompanhada pelo amor opera maravilhas. Pense bem nisto.
A educação pelo medo e pela repressão tem sido uma prática demasiado frequente, e tem destroçado muitas e muitas vidas. Um pai perguntou-me recentemente como é que poderia corrigir o seu filho do hábito de mentir; estava farto de lhe bater até ficar cansado, mas sem resultado. A minha resposta foi: “Era melhor que batesse em si mesmo por ter feito dele um mentiroso”. É o medo que desencadeia o hábito de mentir. A educação está a encorajar o rapaz a exprimir-se o melhor possível e com a maior honestidade, no seu trabalho como nas suas palavras, e não em reprimi-lo e «discipliná-lo”.

“O receio do pai não implica necessariamente o respeito por ele”.
“É a vara que muitas vezes faz o covarde e o mentiroso”.
Buda disse “Só há uma maneira de expulsar o Ódio do Mundo, e essa maneira é incutir nele o Amor”. Temos diante de nós a oportunidade para, em vez do egoísmo e da hostilidade, inculcarmos paz e boa vontade no espírito das gerações vindouras.

Baden-Powell of Gilwell. 

sábado, 25 de novembro de 2017

Contos de Fogo de Conselho. A origem de Donald e seus sobrinhos Escoteiros


Contos de Fogo de Conselho.
A origem de Donald e seus sobrinhos Escoteiros.

Huguinho, Zezinho e Luisinho.

                        Certo dia, Donald ao chegar a casa encontrou três simpáticos patinhos que traziam uma carta. Na carta, a prima Anita pedia que Donald lhe cuidasse dos "três anjinhos" por algum tempo. Logo de cara, os "três anjinhos" deram-lhe de presente, uma caixa de bombons recheados de pimenta, fizeram mil gracinhas que quase deixaram o Donald maluco. Era o tipo de enredo das colunas publicadas em 1937 nos Estados Unidos, quando os sobrinhos de Donald apareceram pela primeira vez. Eles eram o resultado do trabalho de Alfred Taliaferro, um dos desenhadores da Walt Disney. Este sentiu a necessidade de ampliar o mundo de Donald, que tinha vivido até então na esfera familiar de Mickey.

                       Donald, que era um dos alvos preferidos das brincadeiras dos traquinas sobrinhos de Mickey, acabou por ganhar os seus próprios sobrinhos: três de uma vez só! Nos primeiros tempos, os três patinhos eram terríveis: adoravam atormentar toda a gente, especialmente o tio, e, além disso, detestavam tomar banho e ir à escola! Com o tempo, porém, eles foram criando juízo e, de meninos traquinas, transformaram-se em espertinhos patinhos. Escoteiros-Mirins.

                        Desde as primeiras histórias de Donald, os três sobrinhos já acompanhavam o tio em muitas aventuras. No 1º número da revista O Pato Donald (1950), publicada pela Editora Abril, os três patinhos apareciam com Donald e Tio Patinhas na história "Donald e o Segredo do Castelo". Mas nessa época chamavam-se Nico, Tico e Chico. Só mais tarde receberiam os nomes que têm hoje. De vez em quando Huguinho, Zezinho e Luisinho vestem a roupa de Escoteiros-Mirins, partem para ajudar aos outros e proteger a natureza e os animais.

                       Como Escoteiro-Mirins, consultavam sempre o fabuloso livro que os tirava de quase todas as dificuldades "Manual do Escoteiro-Mirim", o qual apareceu pela primeira vez em Março de 1954. Esse Manual ficou tão famoso que foi necessário publicá-lo "de verdade" com aquela riqueza de informações. O primeiro fez tanto sucesso foi logo seguido de um segundo do volume.

                      Os três sobrinhos tornaram-se Escoteiro-Mirins em Fevereiro de 1951, na revista Walt Disney's Comics Stories (n.125), como criação de Carl Barks. Os três escoteiros tentavam, nesta história, conquistar o posto de Brigadeiro General nos "Junior Woodchucks" (nome inglês original para os Escoteiros-Mirins). Na edição de Setembro de 1951 (n.132) já tinham conquistado o posto de Generais de dez-estrelas.

Origem dos nomes.
Não se conhece com rigor a origem dos nomes dos sobrinhos de Donald. Uma das hipóteses avançada é que em 1937, o desenhador Al Taliaferro deu a cada um dos sobrinhos do Pato Donald o nome de figuras populares nos Estados Unidos da América de então: «Huey» (Huguinho) como homenagem a Huey Long, governador da Louisiana, «Dewey» (Zezinho) em homenagem ao governador republicano de Nova York Thomas E. Dewey, e « Louie» em homenagem ao trompetista Louis Armstrong.

Outra hipótese é a de que Taliaferro tenha pretendido homenagear o almirante George Dewey (1837-1917) da Guerra Hispano-Americana e que "Louie" seja uma homenagem ao animador Louie Schmitt (1908-1993).

prenome completo de Huey é Hubert, de Dewey é Deuteronomy e de Louie é Louis.

Existem rumores sobre um quarto sobrinho, chamado Phooey, mas acredita-se que não seja realmente um personagem e sim um erro de desenhistas entusiasmados que vez por outra faziam quatro e não três personagens.
Nota de rodapé: - Quem quando jovem não se divertiu com Donald e seus Escoteiros-mirins?  Quem um dia não ambicionou a ter um Manual do Escoteiro–Mirim? São histórias que ficaram gravadas em nossas memórias em uma época boa dos Gibis e principalmente dos personagens da Disney que tanto nos encantaram. Conheçam a história deles.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Palavra de Escoteiro ou palavra de honra? “Os dez artigos da Lei Escoteira”


Palavra de Escoteiro ou palavra de honra?
“Os dez artigos da Lei Escoteira”

           Era uma rotina acampar com os monitores e subs da tropa. Pelo menos a cada dois meses íamos para o Sitio do meu amigo Tornelo. – Chefe, fique a vontade, nem precisa pedir autorização. Boa aguada muitos bambus um local excelente. Eram quatro subs e quatro monitores. Eles adoravam tais acampamentos. Eu também, pois tínhamos mais tempo para conversar, aprender fazendo e trocar ideias. Ouvir adolescentes e suas necessidades eram para mim uma alegria sem par.

              Com as atividades de monitores a tropa deu um salto em motivação e crescimento. Nesta acampamento tudo correu normalmente. Jantamos um belo bife com arroz soltinho. Não faltavam bons cozinheiros. Lá pelas nove foram chegando onde montei a fogueira. Eu tinha encontrado perto da Lagoa do Jacaré, dos troncos grossos que deu dois ótimos bancos. Cada um foi se assentando e um deles colocou as batatas no fogo já aceso. O café no bule esmaltado junto à fogueira com pedras em volta para não espalhar as brasas fumegava.

          Havia sorrisos no ar. Todos adoravam participar. Ficamos conversando até que um Monitor me perguntou – E a história de hoje Chefe? Sorri. Sempre tinha uma historia para contar. – Vamos então disse. Hoje irei contar uma história sobre a Lei Escoteira. Eles já sabiam que a palavra de um escoteiro vale mais que sua honra. Mas o que é honra? Melhor contar a história. Alguns se serviram de café quentinho e biscoitos. Calados prestavam enorme atenção. Mal dava para ouvir os grilos e a sinfonia de sapos cururus na lagoa próxima.

       – Tudo começou quando a Patrulha Onça Parda estava reunida na casa do Escoteiro Santos Dumont. Estavam lá o Monitor Rui Barbosa, os Escoteiros e escoteiras Olavo Bilac, Caio Martins, Anita Garibaldi, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Eles sempre faziam estas reuniões às quartas feiras em casa de algum membro da patrulha. – Chefe! Interrompeu um Monitor, mas estes nomes são verdadeiros? Lembrei que eles fizeram parte da história do Brasil. Bem pensado Antonio. Mas faz parte da história.  

          - Conversaram e após sugestões de programa para o segundo semestre, Anita Garibaldi pediu a palavra: – Meus irmãos de patrulha lembram-se da última reunião que o Chefe fez um Jogo Escoteiro usando a Lei Escoteira? – Sim, disseram todos. Mas foi um jogo meio parado disse Olavo Bilac. – Concordo disse Anita Garibaldi, mas acho que valeu. E ela perguntou: - O que significa a Lei Escoteira para um escoteiro? – Uma discussão simpática começou. Falou Caio Martins, Santos Dumont, Barbara Heliodora e Joana Angélica. Rui Barbosa o Monitor só observava. .

          - Cumprir ou não cumprir? Dizia. Fazer o melhor possível? Quem sabe assim era mais fácil. Foi Santos Dumont que abriu o jogo – Para dizer a verdade eu não sou muito de cumprir a lei. Ela existe para nos dar um caminho a seguir. Sabemos que cumprir todos os artigos é impossível. – Não sei se concordo disse Olavo Bilac. Anita Garibaldi nada falou. Só ouvia. O mesmo fazia Joana Angélica. Barbara Heliodora não concordou. – Se ela existe e nós prometemos um dia fazer o melhor possível não podemos continuar assim por toda a vida.

          - Joana Angélica lançou um desafio – Se Lei é tudo para os Escoteiros, falamos em honra, palavra escoteira e ética porque não tentamos por dez dias cumprir a risca todos os artigos? Quem sabe, prosseguiu, poderíamos fazer uma aposta e os que perdessem pagaria uma rodada de sorvetes na Sorveteria do Paulão? Muitas opiniões. Rui Barbosa completou – Se aprovam eu estou de acordo. Lembrem-se que faltar com um artigo da lei é questão de consciência. Cada um deu sua palavra e faltar com a verdade não é próprio de escoteiros.

            - Caio Martins entrou na conversa – Acredito que o Escoteiro tem uma só palavra e sua honra vale mais que sua própria vida. – Barbara Heliodora emendou – Concordo, o Escoteiro é leal. Sem lealdade não existe amor, amizade, fraternidade e consciência. Sem lealdade não existe o Espírito Escoteiro.

             Aprovaram o desafio. No final da reunião de patrulha todos juraram com as mãos entrelaçadas: – Prometo ser leal e dou minha palavra escoteira que se errar direi a todos. – Era uma quinta, dia 12 de agosto. O desafio iria durar até o dia 22 de agosto. Rui Barbosa pensativo não sabia se conseguiria cumprir. Olavo Bilac ria baixinho – Este desafio eu tiro de letra - Caio Martins lembrou de suas palavras: - Para cumprir cada um tem de caminhar com suas próprias pernas. Santos Dumont tinha dúvidas se chegaria até o final.

            - Anita Garibaldi não tinha dúvidas. Barbara Heliodora se considerou leal e acreditava que sempre cumpriu os artigos da lei. Joana Angélica receava suas amigas de classe. Falavam muito palavrão e sempre contavam piadas cujo teor era contra a ética e a honra. Dez dias se passaram. Reuniram-se na casa de Joana Angélica. Hora do acerto de contas. Hora que cada um devia dizer se cumpriu ou não a lei escoteira.

            - Rui Barbosa deu o exemplo como Monitor: – Não consegui. No Sétimo artigo me perdi. Tudo por causa do meu pai. Encheu-me as paciências de tal maneira que fui indelicado com ele. Pedi desculpas, mas já havia infligido à lei. Joana Angélica riu e emendou – Eu também não consegui. O quarto artigo é difícil. Amigo de todos? Tive que dar um empurrão na Rebecca minha prima. Entrou no meu quarto e fez uma bagunça que só vendo. Depois me arrependi. Afinal ela só tem cinco anos!

- Caio Martins disse que cumpriu todos. - Barbara Heliodora pediu desculpas, mas não cumpriu o quinto e o oitavo artigo. Não fui cortês com minha mãe e quando ela me repreendeu na frente de todos, eu chorei por dois dias. Olavo Bilac disse que cumpriu sem pestanejar e se precisasse ficaria para sempre cumprindo a lei escoteira. Anita Garibaldi também não conseguiu. Discuti com minha professora, pois ele me deu oito em história. Merecia um dez. Por último Santos Dumont disse que cumpriu todos.


            Os monitores e subs estavam de olhos arregalados. Chefe é história verdadeira? Quer saber? Eu não sei se iria cumprir como muitos fizeram. Não disse sim e não e encerrei a história contando que foram todos tomar o sorvete na Sorveteria do Paulão. Eles empanturraram-se tanto que deu dor de barriga. Risos. - Um silêncio profundo em volta do fogo. Ninguém disse nada. Uma coruja piou ao longe. Os sapos pararam de coaxar. O céu ficou escuro e um relâmpago riscou o ar. O trovão deu para assustar. – Boa noite meus caros monitores, chequem suas barracas a intendência, o lenheiro. Vem uma tempestade por ai!     

Nota de rodapé: - Você se preocupa com a Lei Escoteira em sua tropa? Ela é sempre lembrada nas reuniões e fazem belos jogos para que todos possam assimilar? Sabemos que quando fazemos nossa Promessa dizemos que iremos fazer o Melhor Possível para cumprir. Mas afinal, e o Chefe? Ele deve ser exemplo ou não para seus escoteiros no trato com a Lei? O dito popular em dizer que “não sou santo” vale para nós? Que cada um pense até onde cumpre ou até onde finge cumprir.

sábado, 11 de novembro de 2017

Contos de Fogo de Conselho. Silvio. O que importa é a boa ação.


Contos de Fogo de Conselho.
Silvio.
O que importa é a boa ação.

             A campainha tocou e Silvinho sorriu. Passou toda a aula da professora Doralice sonhando com a bela mochila e o cantil que vira nas lojas Abil. Era um bom aluno e o Chefe Marcio sempre o parabenizava quando mostrava seu boletim. Isto dava pontos a Patrulha. Os Morcegos eram irmãos de sangue como dizia seu monitor. Saiu apressado da escola em direção as Lojas Abil. Entrou sem correr. Não queria que pensassem que era um moleque qualquer. Ele era um Escoteiro, e dos bons. Foi até a vitrine onde expunham os materiais de camping. Viu a mochila verde acolchoada pendurada. Viu também o cantil de capa azul. Ainda não tinham vendido. Já tinha visto o preço. A mochila Cento e quarenta e o cantil sessenta. Um dia iria comprar os dois. Seus pais eram pobres muito pobres. Uma pequena Sapataria e muito fiado. Ele se orgulhava do pai. Era seu herói. Não demorou muito na loja. Saiu assoviando. Gostava de assoviar. “Vem depressa correndo Escoteiro, ajudar o cozinheiro a fazer o jantar!”. Gostava dessa canção.

               Desceu a Rua dos Caracóis e viu debaixo de um banco de rua uma carteira. Viu que estava recheada. Mais de mil reais. Uma fortuna. Daria para a mochila o cantil e muito mais. Não lhe passou pela cabeça ficar com o dinheiro. Mesmo assim pensou a feira e o mercado que sua mãe podia fazer. Seria uma alegria. Era um Escoteiro e nunca faria isto. Lealdade não se impõe se aceita, caráter também ensinou o Chefe Marcio. Procurou seu pai. Explicou. Ambos olharam os documentos. Dr. Mario Marcelo, dentista. Morava no Bairro Palmeiras, Rua do Lavrador 115. Seu pai só tinha o dinheiro de ida para o ônibus, na volta só a pé. Vamos lá, os tostões que tenho para a carne fica para outro dia. Amava seu pai. Sempre o abraçando e sempre cantavam a mesma canção da Vovó: - A montanha feliz!

                  Silvinho foi de uniforme. Só pensava na sua boa ação. Orgulhava-se de vestir seu uniforme. Bateram a porta. Uma moça atendeu. – Poderia falar com o Doutor Mario? – Ele está ocupado respondeu ela de cara amarrada. Podem falar comigo. Preferimos que seja ele. Ela nem respondeu e fechou a porta. Os dois ficaram ali esperando e sentaram no meio fio da rua. Uma hora depois ele gritou na porta bruscamente do seu consultório – O que querem comigo? Estou muito ocupado! – Silvinho se aproximou – Doutor desculpe. Achei sua carteira e vim devolver. Verifique se não está faltando nada! – O doutor olhou. Não falta nada. Agora me deixem em paz, estou ocupado com dois clientes me esperando. Fechou a porta na cara dos dois.
 
                 Silvinho olhou para seu pai e perguntou? Está certo assim pai? Claro filho. Fez o que devia fazer. Se ele não reconheceu não importa. Importa seu ato de grandeza de dignidade. Eu tenho o maior orgulho de você e olhe, prometo que um dia vou lhe dar aquela mochila e o cantil. Quem sabe ganho um dinheiro a mais? E foram os dois cantando pela rua afora, sem ao menos guardar rancor do doutor Mario. Silvinho sentia-se feliz. Ia contar a boa ação para seu Chefe. Sabia que ele iria gostar. Não iria vangloriar e nem contar que o doutor fora mal educado. Ele sabia que o importante foi o que fez. O que os outros fazem deixe para Deus resolver lhe disse seu pai.


E alegre cantou feliz uma canção: - “Vem depressa correndo escoteiro ajudar o cozinheiro a fazer o jantar! Supimpa! Acende o fogo, põe a panela, e dentro dela, o feijão cozinhar!”.

Nota de rodapé: - Boas ações dignificam o caráter. Quanto mais difícil, mas valor tem. É ponto de honra para o escoteiro fazer pelo menos uma por dia. Não as simples e sim aquela que marcam que deixa nas pessoas o orgulho de ser escoteiro e ou ser ajudando por um deles. 

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Crônicas de um Chefe Escoteiro. Chatos! Eles existem no escotismo?


Crônicas de um Chefe Escoteiro.
Chatos! Eles existem no escotismo?

“Há duas espécies de chatos: os chatos propriamente ditos e... Os amigos, que são os nossos chatos prediletos”. - Mario Quintana.

Não sei. Alguns amigos meus dizem que sim. Dizem que eu mesmo sou um deles. Um até me disse que sou um “Chato de Galochas”. Poxa! Logo eu? Nunca tive galochas. Não sabia que era chato. Dizem que a palavra “Chato de Galocha” é aquela pessoa que mesmo num dia de chuva, põe sua galocha e vem exercitar sua “chatura”. Outros dizem que o Chato de Galocha é o chato prá chuchu que saiu do mundo agrário e ingressou na era moderna. Mas como sou Escoteiro e um chato por profissão, pensei comigo: - Será que tem chatos no escotismo? Pensando bem acho que sim. Já que me coloquei como um deles porque não dizer dos outros? Vejamos a descrição de alguns chatos e tenho certeza que você minha amiga ou você meu amigo não se enquadram em nenhum deles. Por isso não ponham o chapéu na cabeça. Risos.

Vejamos algumas espécies de chatos:
- Fãs de entendidos - São aqueles chatos que não podem ver um Escotista mais graduado que correm para conversar com ele. Ficam ali com cara de aluno junto ao seu professor e querendo absorver toda a pose, todo sorriso e todo conhecimento do Chefão! Deus do céu!

- Politizados em demasia – São aqueles chatos que defendem com unhas e dentes sua organização, seus superiores, suas ideias. Nunca admitem erros. Mesmo não tendo nenhuma experiência, jactam-se de tudo que falam. Os dirigentes escoteiros adoram estes chatos.

- Carentes – Estão chatos estão sempre reclamando. Reclamam de tudo. Do Chefe, dos assistentes, do Diretor Técnico, do Comissário dos acampamentos ruins, das taxas baratinhas cobradas, enfim reclamam de tudo. Quando te pegam na esquina para reclamar haja “saco”!

- Amigos do passado – Gosto destes chatos. Se te pegam na rua, logo convidam para uma cerveja, uma pizza, e sempre pagam as despesas. O ruim é que ficam lembrando, lembrando e você olhando para o relógio sem jeito de sair.

- Viciados em aplicativos – Estes não são “moles”. Adoram te mandar recadinhos para aplicativos no facebook. Você acessa sua conta ou o celular e vê um monte de notificações. E quase sempre são aos mesmos. Não adianta deixar recados. Todo o dia lá estão eles. Irmãos de farda. Irmãos de ideal. Difícil convencê-los que são chatos.

- O olheiro – Desculpem. Não é do meu tempo. Hoje o chamam de Assessor. Desde que criaram a função de assessor para tudo logo o escotismo também criou o seu. A diferença é que é de graça! O chamo de olheiro porque ele vive de olho em você. Quer ser seu orientador, dizer o que fazer. Ensinar a você o caminho para o sucesso, mas quase sempre é o caminho que ele imaginou. Até que gosto da ideia destes chatos. Mas desculpem, não deixam de ser chatos.

- O metódico – É o Chefe que tem o jeito dele de trabalhar, de fazer as coisas. Ele já tem na cabeça o seu jeito certo de realizar suas tarefas. Nunca pede ajuda. Quando estão juntos acampados ele acha que você faz tudo errado. Com aquela “fleuma” Escoteira de Escoteiro bem educado, ele te enche as “paciências”.

- O perseguido – Fica o tempo todo falando que existem complôs contra ele. É o seu Chefe, seu Presidente, seu distrital, a regional ou a nacional. Enfim querem tirá-lo do escotismo. Não sabe o que fazer. Pensou em mudar de lado, mas soube que do outro lado seria a mesma coisa. Não sabe se sai ou se fica. Que medo ele tem de ser demitido ou levado a tal comissão de ética! E o salário oh!

- O nervoso – Nuca está satisfeito com nada. Explode por qualquer coisa. Reclama que não recebeu um agradecimento, uma condecoração. Reclama que já devia ser o Chefe da tropa, do Grupo, reclama que Já devia ter recebido sua insígnia. Reclama de tudo!

O dono do mundo – Este chato é um perigo. Considera-se o maioral. Está acima da lei e quando ela não lhe agrada, refaz de novo. Não quer perder o seu cargo e finge ser seu amigo para se perpetuar no poder. Eles estão lá no alto da pirâmide do escotismo. 

É, tem tantos tipos de chatos que poderia ficar aqui o dia inteiro falando sobre eles. Os chatos amigos, que lhe dão beijinhos na frente e que fazem nas suas costas você não sabe. Tratam-te com carinho e lá ao longe preparam sua cama para ver você dormir e não voltar mais! O folgado, que não levanta a bunda para fazer nada e sempre lhe pedindo para fazer tudo. Tem muitos mesmos. Mas o pior deles é o Capachão. Que puxa saco meu Deus! Os diretores, dirigentes, formadores adoram estes tipos. Ele quer a todo custo ser um deles! Haja paciência com eles, pois pior que eles só eu mesmo. Como sou chato meu Deus! Mas meu conselho é um só, Corra destes tipos! Só não sei como você vai correr de você mesmo! Kkkkkk.


Enfim, é melhor ser como eu. Um chato de galocha! Um chato rei dos chatos. Risos. E vivam os chatos, ainda bem que o escotismo não vive sem eles! Rsrsrsrsrsrsrs, ou melhor... Kkkkkkkkk

Nota de Rodapé:  Se você é um chato, por natureza ou por profissão, não leia esta crônica. Pode se sentir ofendido e eu não desejo isto. Afinal eu sei que sou um chato de galocha e não nego. Mas você não é assim, não é mesmo? E viva os chatos... Afinal o que seria do escotismo sem eles? 

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Conversa ao pé do fogo. Jogando conversa fora em um barzinho.


Conversa ao pé do fogo.
Jogando conversa fora em um barzinho.

        - Oi Matheus! (o garçom) Por gentileza, um chopinho! – Um não, quatro. Estamos aqui também. Eram quatro. Saboreavam um gostoso bolinho de bacalhau, quibes entre outros salgadinhos. Sempre estavam ali aos sábados. Acabava a reunião tiravam o uniforme e lá iam eles. Solteiros, nada melhor que um papinho.  – Continue o que estava dizendo disse um – O mesmo de sempre – riu. Acho que nosso movimento tem muitos chefes cheio de empáfia. – Ei calma – Está chamando alguns escotistas de arrogantes? Não seria presunção sua? – Não é. Você me conhece. Veja no nosso grupo. Tem alguns que são muito simpáticos, amigos, e outros se postam com altivez própria de quem é superior.

         – Outro Chefe disse: - Não sei se concordo com você. Veja, somos todos seres humanos. Temos nossos defeitos e nunca seremos perfeitos. – Mas meu amigo, você acha que isto poderia acontecer no movimento Escoteiro? Matheus veio com as bebidas. Um pequeno silêncio para saborear o malte famoso. Um deles disse – Há muito mais certezas em um copo de cerveja do que se pode imaginar – todos riram – o Outro olhou para o mais novo Chefe e disse – Corra atrás dos seus sonhos, e na volta traga uma cerveja para mim.

         - Não sei se você está enganado disse um Assistente. Tive uma decepção outro dia. Lembra-se do Chefe (...)? – Lembro. Recebeu a Insígnia de Madeira. Pois é, mudou muito. Parece que até anda diferente. – Não foi ele que tentou ajudar naquele curso do mês passado? – Foi sim. Disse-me que quer ser um formador. Seu sonho sempre foi ser da equipe – Outro gole, outro ah! O bolinho de bacalhau estava perfeito. – Estive conversando com um Chefe que foi Escoteiro quando jovem. Gente boa. Pena que fala demais e não deixa os outros falarem. Ele acha que só ele sabe. Todos riram.

           – A conversa não parava. Quatro amigos de longa data. Outro disse: Estou pensando em sair do grupo. Toma-me muito tempo. E sabem Assistentes não manda nada. Não foi o Lula quem disse? – Mas você reclamou? Procurou falar com ele em particular? – Não adianta. Manda-me o programa por e-mail já pronto. Costumo aparecer em um ou outro item, mas nada sério.

       - Perdemos dois jovens mês passado. Desistiram. - Por quê? Não sei. Não me disseram nada. Um seu pai não quis gastar com a taxa do Jamboree e o menino desistiu. O outro. Disseram seus amigos que o programa deles no bairro era melhor – pode? – Porque você não os procurou? – eu? Sou um mero Assistente meu amigo. O Chefe da tropa não está nem aí – E o diretor Técnico? Ora você conhece o “dito cujo”. Se fosse do outro grupo não diria nada. Ele sim é interessado. – Mais uma pausa, mais um gole e o pratinho de quibe acabou. Mais quibe Matheus disse! – E para mim outro chope – Para mim também.

        – Quem de vocês vai à Assembleia? Eu não vou. – Eu também não. – Acho que vou disse a akelá. – Vai mesmo? Não vai morrer de tédio? – e deram boas risadas. – Este ano não. Tem eleições. – E você vota? – Não voto, mas posso dar minhas “piruadas”. – Vou pensar se vou. Na última vez ficamos feito tontos andando para lá e para cá e outros querendo aparecer. Acho que se tivesse na lojinha espanador e melancia a região ia faturar aos montes. – Pois é, quer saber? Acho que não tinham programa para quem não vota. Podíamos participar de um ou outro seminário. Mas nestes os entendidos não davam vez para ninguém.

        - Um deles olhou para o relógio. Dez da noite. – Já? Vamos ficar mais um pouco. A conversa está animada! E deu boa gargalhas.  Soube que vão ter muitas eleições na Assembleia Nacional. – Eu também soube. – Pois é, dizem que agora a reeleição só por dois mandados – Vamos ver se é verdade – Me disseram que tem uns lá que são eternos. – Todos deram boas risadas.  E quando irão nos perguntar sobre as mudanças que fazem? – Acho que nunca! - Nunca? Mas eu gostaria de opinar. Chega de resolverem tudo por eles.

        – Um silêncio na mesa. Um olhou para o outro – Olhe eu vou dizer uma verdade se não fosse meu amor pelos jovens, já teria saído. Ser voluntário no escotismo não é fácil. É o único lugar onde se paga para ser voluntário. – O que? Paga? Você paga? – Claro pago mensalidades minha e de meu sobrinho, pago taxa de curso, pago taxa de acampamento e nem pensar em ir nestas atividades nacionais. – Dizem que tem grupo que paga tudo!- Paga mesmo? Paga! Sortudos!

        - Matheus! – A saideira, por favor! – Estavam calados. Um deles esperava a entrega da Insígnia Sênior. Soube que tinha sido aprovado. – Porque a demora? – Eles são muito ocupados. Ainda não deu tempo para me enviarem. Não é assim na bucha, você sabe disto. Tudo anda rápido se você é amigo do rei disse. – Já tentei minha medalha de bons serviços e nada. Dez anos. – Dez? Tanto assim? – Isto mesmo. Acho que o distrital ou o Assistente regional não vai com minha cara –

         - Gostaria de dizer isto na Assembleia falou a Akelá! - Porque lá tantos recebem? – Você viu a fila para receber? – É mesmo, um mistério minha amiga. Mistério. Aprenda com eles. Vejam o que fizeram. São considerados a nata do escotismo. Dizem que sacrificam mais que nós. O que você faz na Alcateia todos os sábados, aos domingos, dia de semana em reuniões com seus assistentes, participando de reuniões do distrito não é nada comparado a eles. – Dão duro mesmo? Claro que sim. Ser dirigente não é mole. – Olharam para a cara de um de outro e desandaram a rir.


           - A conta, por favor! – Dividiram, pagaram abraços, dividiram um taxi, pois não foram de carro. A lei seca estava severa. A Akelá foi de ônibus. Mais um sábado. Amanhã domingo. Descansar? Nem pensar. Cada um tem milhares de coisas para fazer. Mas francamente, é uma pretensão destes chefes acharem que trabalham no escotismo mais que os dirigentes não acham? – E eu? Eu meu amigo estou morrendo de rir! Tapir de Prata neles!

Nota de rodapé: - Jogando conversa fora é uma série que há tempos escrevi sobre quatro amigos três chefes e uma Akelá, que a cada quinze dias após as reuniões escoteiras vão jogar conversa fora em um barzinho de um amigo. Tomam seus chopes, pois ninguém é de ferro e sempre os temas discutidos são sobre escotismo. Aos poucos vou publicando toda a serie escrita há mais de cinco anos, mas acho que atual.