Uma linda historia escoteira

Uma linda historia escoteira
Era uma vez...

sábado, 19 de agosto de 2017

Bem vindo ao Blog.

  



Bem vindo ao Blog Escotismo e suas historias.

Em 2009 entrei para o Facebook e algum tempo depois resolvi criar um Grupo cujo nome adotei como Escotismo e suas historias. Ele é dedicado exclusivamente ao que escrevo. Tem no momento mais de 17.000 membros participantes. Devido ao sucesso do grupo, criei então um blog Escotismo e Suas Histórias fac-símile do que tenho no Facebook. Comparativamente aos meus outros blogs escoteiros ele tem uma participação diária de admiradores do escotismo ou mesmo membros escoteiros em diversos países. Os artigos ou contos aqui postados muitos são fruto de minha imaginação e outros adotados em pesquisas tudo para colaborar na formação escoteira.

Artigos do nosso fundador estão em sua maioria postados neste blog. Agradeço a sua presença e caso queira comentar fique a vontade. Querendo entrar em contato estou à disposição no e-mail ferrazosvaldo@bol.com.br.


Muito obrigado pela presente e aceite o meu Sempre Alerta!  

Osvaldo um escoteiro  


Sábado, tem reunião outros acampamentos e outros sonhos!


Sábado, tem reunião outros acampamentos e outros sonhos!

                 E lá vou eu, neste sábado chuvoso, nestes tempos frios, me transporto para um acampamento, em uma noite gostosa, ali reunidos com muitos amigos e amigas, olhar perdido no universo, em uma clareira na floresta, em volta de uma fogueira, um violão cantante, um olhar distante que faz a gente pensar: - Como é bom ter amigos, perto ou longe eles sempre estão conosco. Os poetas dizem que os amigos são a família que nos permitiram escolher. A nossa frente à fogueira em brasa solta fagulhas no céu. Um calorzinho gostoso, um café amargo, um chimarrão cheiroso corre de mão em mão.

                 Brilha a fogueira ao pé do acampamento, para alegria não há melhor momento, crepita o fogo... Velhos amigos não perdem a ocasião de reunidos cantar linda canção. Entre nuvens e estrelas, pululam vagalumes no céu. A poeirada fumacenta não afugenta ninguém. Olhos vidrados na chama que aquece até o coração. Saudade da escoteirada rindo cantando brincando e convidando: - Irmãos aqui tem café e tem mate, vão chegando e se assentando. - Alguém põe mais lenha na fogueira prá esquentar “nois” escoteiros.

                 - Ei você! - Escute se a chaleira não chia, venha provar um cafezinho e se não quiser tem chimarrão “dos bão!”. Uma batata doce esquenta a “goela”, uma banana da terra passa de mão em mão... E a gente vai vendo a noite passar olha a dança dos pirilampos em volta das chamas, vendo seus medos virarem fumaça. Bom demais estar em um fogo de conselho prá não esquecer jamais!


Uma linda e proveitosa reunião ou quem sabe um acampamento!

sábado, 12 de agosto de 2017

Contos de Fogo de Conselho. “Amâncio”.


Contos de Fogo de Conselho.
“Amâncio”.

                      Olhou para seu monitor e pensou em dar uma resposta à altura. Eram da mesma idade e Torpedo só mandava e nada fazia. Deu para empurrar a patrulha quando em fila. O jogou no chão algumas vezes. Fervia de raiva. Porque aceitar aquilo? Prometeu a si mesmo sair depois do acampamento em Aguas Formosas. Sonhava com ele. Um ano de preparação. Perder tudo que criou na sua mente? E o Caminho do Tarzan? E O elevador de cordas?

                     Treinou amarras, costuras, desenhou. Sabia de cor o que ia fazer. Deixar tudo para trás? Não dizia para sim mesmo que só os fracos desistem? E porque o Chefe não via as ações de Torpedo? Porque aceitar um monitor sem qualidades, mandão, déspota, prepotente a “comandar” uma patrulha que nunca iria aprender a andar com suas próprias pernas dirigidas por um monitor sem formação?

                  Foi para casa pensando o que fazer. Quantos entraram na patrulha e sairiam? Há dois anos quando entrou a patrulha tinha sete, Torpedo entrou e saíram tantos que agora só tinham quatro e olhe que mais de oito entraram e saíram. Uma conta que não fecha. Resolveu falar de homem para homem. Foi à casa de torpedo.

                 Ficou horrorizado com o que viu. Seu padrasto com uma correia na mão lhe aplicava a maior surra. Sua mãe corria pedindo perdão. Torpedo chorava e gritava. A patrulha policial chegou. Levou o Padrasto de Torpedo. Sua mãe o levou para o hospital, pois estava todo machucado.


                 No sábado ao chegar à sede ele deu um enorme abraço em Torpedo. Este espantado não sabia o que dizer. Amâncio sorriu. – Torpedo, a amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento. Duplica a nossa alegria quando dividimos a nossa dor. Torpedo sorriu e abraçou forte Amâncio. Ficaram amigos para todo o sempre!

Nota de rodapé: - Decisões nem sempre são fáceis de tomar. Principalmente aquelas prometidas e nunca cumpridas. Era a vez de Amâncio decidir. Não dizem que a palavra desistir não existe para os escoteiros? A história irá explicar melhor. Bem vindos aos fortes, àqueles que sabem a hora certa de tomar uma decisão. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Uma crônica do cotidiano. Se existem sonhos, a vida continua.


Uma crônica do cotidiano.
Se existem sonhos, a vida continua.

                      Faço uma caminhada todos os dias. Tem alguns que não consigo. Falta o ar o cansaço chega e nestes dias passo a maior parte em minha varanda singela pensando no que fazer. Hoje comecei a divagar e me lembrei de um fato acontecido que gosto de lembrar. Uma manhã de sol... Lá fui eu na minha caminhada. Perto tem um Centro Esportivo muito arborizado. Gosto de lá. Não ando muito, máximo um quilômetro. Mais não aguento. Caminhava com prazer e alegria mesmo com meus passos trôpegos já que a idade não me deixava ir mais rápido. Uma pequena trilha. A percorro todos os dias. Outros também comparecem para correr e passam por mim voando como se tivessem asas. Sorrio... Quem dera pudesse fazer isto também. Corpo de Velho trôpego não ia aguentar mais.

                 Claudicando eu ia cantando, forçando o pulmão para aproveitar o ar da manhã, das árvores copadas que enchiam de perfume minha caminhada. Ah! Que saudades dos meus acampamentos! Já tinha percorrido mais de quinhentos metros. Meu corpo respondia aos passos. Um e dois, um e dois. Notei que emparelhou ao meu lado dois jovens. Ele e Ela. Dois frutos da nova mocidade que percorriam a mesma trilha que eu. Ele alto, forte sem camiseta para mostrar seu tórax e seus músculos fortes. Era um guapo rapaz. Ela nos seus quinze ou dezesseis anos, magrinha e pequena, mas sadia sorria ao lado do seu amado. – Ele virou para mim e disse: - Velho levante o corpo, aprume os ombros, ande feito homem! – Olhei para ele. Sorri. Não ia aceitar a provocação. – Ele continuou – Conheço muitos velhos como você que andam feito homem! – Ora, ora pensei. Será que não era homem? Mesmo assim não disse nada e continuei calado.

                    Sem pressa eu dava minha última volta. Eles ao meu lado. Eles já tinham passado por mim várias vezes enquanto eu em passos de tartaruga forçava para percorrer alguns metros. – Velho ele continuou: – Esqueça suas dores, suas doenças, vamos Velho levante os ombros, dê uma passada mais larga. Velho ande feito gente grande! Quantos iguais a você percorrem caminhos mais longos? Quantos ainda fazem questão de correr feito homem? – Eu olhei de novo para ele. Minha respiração começou a falhar. Diminui meus passos trôpegos. Meu ar tinha de ser dosado. Quando não me sinto bem ele reclama. De novo olhei para ele sem nada dizer Estava cansado. Muito. Para que responder a ele?

                      A jovenzinha o pegou pelo braço. - Vamos meu querido, disse. - Ainda temos mais de dez voltas a percorrer. Deixe o Velho em paz! Olhei para ela e senti que era uma alma boa. É fácil reconhecer onde existe a beleza no coração. – Ele rispidamente respondeu: - Paro quando quiser, corro quando quiser. Ela abaixou a cabeça submissa. Quem sabe o amor a obrigava a aceitar o que não queria. Meditei. Será que o futuro deles seria de amor para sempre? Não sei. Era melhor não comentar o futuro dos dois. Ele olhou para mim com ar de deboche – Velho, neste seu andar vais morrer logo. Parece como o meu pai. Sempre se entregando. Eu nunca serei assim, quando a minha velhice chegar não serei como você e meu pai. E o jovem partiu correndo. Ela correu atrás.

                 Logo desapareceram na curva do caminho. Continuei calado, sabia o que eu era e o que sou e o que serei. Desejei a ambos muitas felicidades. Pedi a Deus que desse vida longa para o casal. Eu sabia que era um Velho. Um dia fui moço, corri mundo com meu chapéu de abas largas, com minha mochila escoteira, arvorei bandeiras por lugares nunca antes imaginado. Também me julgava imune à velhice. Mas ninguém escapa ao seu destino. Senti uma brisa leve e intermitente no rosto. Eu gostava. As brisas das manhãs sempre me bem. Era um santo remédio. Lembrei-me das grandes caminhadas que fiz. Das grandes aventuras que se foram. Acho que era por isto que eu insistia em andar para não me maldizer de tantas nicotinas que aspirei quando jovem.

                  Cheguei ao final da trilha. Tartaruga ambulante pensei comigo. Sorri para mim mesmo ao pensar assim. Sentei em um banco a beira da trilha. Gostava de ficar ali, vez ou outra passarinhos voavam baixo chilreando enviando mensagem de amor. Quantos dias mais eu ainda iria caminhar? Minha amada trilha era agora percorrida por jovem amantes sonhadores que acreditam nunca serão velhos como eu. Ah! Aventureiros que se foram. Gota de orvalho sumindo no meu passado. A vida continua. Será que os verei novamente? Não são escoteiros disto tinha certeza. Não sei e isto não importa.

                         Não desejava nada ruim para eles. Eram hoje guapos jovens. Não sei se gostariam de ouvir alguém dizendo no futuro para empinar os ombros, andar ereto e não ser um velho inútil. – Deixe a vida me levar e a deles também. Que minhas caminhadas pudessem ser realizadas por muito e muito tempo. Sentado no banco em um caminho arborizado, eu não sei se enganava a mim próprio. Procurava manter meu corpo firme mesmo sabendo que o tempo não perdoava a idade. Acredito que sou um velho feliz. Deus está comigo, ela também e mesmo com suas dores me dá o que preciso para continuar. Não quero terminar meus dias em uma cama ou em um Pronto Socorro a quem chamo de Purgatório.


                          Amanhã estarei de volta às trilhas do meu bem querer. Farei quantas caminhadas conseguir. Sorrirei para quantos jovens passar por mim. Devagar me lembrei do lindo versinho que sempre me vem à memória: – “Antes de correr, aprenda a andar. – “Tudo na vida tem sua hora, seu lugar”. Tartarugas também chegam Lá!”. É meus amigos, se existem sonhos nos sabemos e também a certeza que a “vida continua”!

Nota de rodapé:- As coisas têm que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua... Em qualquer lugar! Uma pequena crônica simples, sem muitos trejeitos apenas para meditar!

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Carta de Abraham Lincoln ao professor do seu filho, em 1830.


Crônicas de um Velho Chefe Escoteiro.
Carta de Abraham Lincoln ao professor do seu filho, em 1830.

Obs. Historiadores dizem não ser verdadeira esta carta. Verdade ou não ela é uma lição de vida. Se todo pai preocupasse com seu filho como ele diz na carta, o mundo seria outro. 

                         “Caro professor, meu filho não é melhor que ninguém. Ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas, por favor, diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado”.

- Ensine-o, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.

- Ensine-o a perder, mas também, a saber, gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.

Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

- Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

- Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho. Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.

Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

- Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.“
Obrigado.

Abraham Lincoln, 1830.


Nota - Já depois de publicada esta nota me disseram para a possibilidade desta carta não ter sido escrita por Lincoln. É mesmo essa a opinião dos maiores especialistas americanos na obra desse grande Presidente dos Estados Unidos. Mesmo assim, deixando aqui este alerta, decidi manter o texto por considerar que ele é lindíssimo.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Curiosidades. O lenço Escoteiro.


Curiosidades.
O lenço Escoteiro.

                 Outro dia um vereador em São Paulo quis criar o dia do Ovo! Não foi o dia da galinha foi sim o do ovo. Porque ele quis fazer este decreto não sei. Acho que ele era um emérito Criador de aves e ganhou muito dinheiro como aqueles que passam na sua porta oferecendo ovos de todos os tipos por uma módica quantia. Mas eis que agora temos o dia do Lenço Escoteiro. Não sei quem instituiu este dia. Como já temos o dia do escoteiro, o de Baden-Powell do sênior do lobo e do pioneiro, porque não do lenço? Afinal quem dentro do movimento não ama o seu, não se orgulha dele e sempre diz: - Este é o meu de promessa. Meu orgulho meu amor!
             
                São tantos os dias dedicados a alguém ou mesmo um objeto que me perco em todos eles. Ainda bem que tem grandes pesquisadores para lembrar. Não poderia deixar a data passar em branco. Tive meu primeiro lenço, verde e amarelo quando participei do Grupo Escoteiro São Jorge em Governador Valadares, faz tempo. Eu ia fazer sete anos. 1947 por aí. Não tenho fotos da minha promessa. Mas o tempo passou fui parar no Grupo Escoteiro Walt Disney em Belo Horizonte e passei a usar o lenço Vermelho e Preto. Trabalhando na Usiminas lá pelos idos de 1961 eu e o Carlos organizamos o Grupo Escoteiro Tapajós. Escolhemos as cores vermelho e branco para o lenço.

              Em São Paulo usei por dois anos o lenço do Grupo Escoteiro Paineiras com muitas cores e encerrei minha carreira em grupos no Águia Branca de Osasco. Nunca esqueci meu primeiro lenço. Eramos tão amigos que ele conversa comigo até hoje. Duvidam? Então me procurem às três da manhã quando vou tomar um banho frio e ele está lá falando, falando e não para de falar. São coisas de lenços escoteiros. Mas hoje é outra história. É o dia dele e vamos homenagear.

                          Quem não conhece o Lenço Escoteiro? Hoje seu dia por que não comentar sobre ele? Dizem que ele é mais do que uma simples peça do uniforme. Disso ninguém duvida. O lenço escoteiro é um pedaço de tecido de forma triangular, parte fundamental do uniforme de todas as organizações escoteiras ao redor do mundo. A peça foi adotada pelo fundador do movimento escoteiro Robert Baden-Powell por ter dimensões muito próximas as de ataduras triangulares muito usadas em primeiros socorros. Usado geralmente em cerimônias, o lenço é enrolado, colocado ao redor do pescoço e então preso com um anel. Cada Grupo Escoteiro tem liberdade para definir as cores e o emblema de seu lenço. É uma tradição em acampamentos e eventos ao redor do mundo trocar lenços com outros escoteiros, sendo que alguns chegam a formar verdadeiras coleções.

           Todas as unidades estaduais e a unidade nacional da UEB possuem lenços próprios. O lenço nacional, usado em cerimônias e eventos internacionais, era azul e tem por emblema o cruzeiro do sul bordado em branco e já apareceu um “çabio” para mudar. Deus do céu! Como gostam de mudar. Afinal porque isto? Não era uma tradição? Bem vejamos o Lenço de Gilwell. Um dos mais antigos lenços escoteiros do mundo, adquirido ao se completar as etapas da insígnia de madeira (curso treinamento de chefes escoteiros).

- O que pensava B.P sobre o Lenço Escoteiro:
Eu tive uma questão proposta a mim sobre a relação entre a boa ação e o nó do lenço escoteiro. Minha idéia era que o Escoteiro, pela manhã, deveria fazer um nó extra em seu lenço ou deixá-lo por fora de seu colete até que tenha feito à boa ação do dia, quando então poderia voltar ao uso ordinário do lenço por dentro do colete ou com um nó simples nele. Por essas estúpidas palavras da minha parte algumas impressões confusas surgiram no estrangeiro, mas penso que não importou muito – as boas ações eram realizadas todas do mesmo jeito.

- Com o passar do tempo vimos que o lenço tinha muitas utilidades e era questão de honra cada um aprender a usá-lo e conhecer suas diversas utilidades. Todos aprendem a usá-lo como tipoia, como fabricar uma maca, amarras diversas principalmente em talas feitas para estancar hemorragia, transportar pesos na cabeça, servindo de almofada. Numa situação temporária, fazer de cinto. Tapar, por exemplo, massa a levedar, ou alimentos frescos. Para filtrar água com sujidades naturais (poeira, folhas, erva) Para proteger o pescoço do sol, usando-o normalmente.

                      Bem o lenço chegou para ficar. Ainda não tivemos um “çabio” na EB para querer acabar com ele. Temos que tomar muito cuidado. Lá na direção temos muitos “çabios” que já mudaram tanto, acabaram com tantas tradições que não duvido de aparecer um deles para dizer: - Abaixo o lenço! Agora todo mundo vai usar uma corda no pescoço tipo a de Tiradentes. Risos.

                   Durante muitos anos, os lenços dos escoteiros eram quadrados, dobrados em triângulo e depois enrolados. Na lista de material individual pedido aos rapazes de Brownsea, constava um lenço, preferencialmente de cor verde escuro. Nas pontas, é tradição dar-se um nó simples para lembrar a Boa Ação diária. O termo em inglês para o nosso lenço é “neckerchief” ou “scarf”. Só por volta de 1923 é que se tornou hábito usar uma anilha nos lenços, pois, até aí, era simplesmente usado um nó tipo gravata.

Os escoteiros americanos só começaram a usar o lenço no uniforme a partir de 1920.
No Brasil o lenço escoteiro deve ter catetos medindo de 60 a 90 cm, sendo os grupos escoteiros responsáveis por suas cores e emblema.


Feliz dia do lenço. Um orgulho para cada um dos oitenta e tantos mil escoteiros do Brasil e dos mais de 25 milhões de escoteiros no mundo.

Nota: -  O meu lenço é verde e amarelo,
Tem o azul do céu cor de anil.
Tem o Branco do meu caderno
Tem as cores do meu Brasil.

sábado, 29 de julho de 2017

Histórias de Baden Powell. Era uma vez... Lá em Brownsea:


Histórias de Baden Powell.
Era uma vez... Lá em Brownsea:

                  Nos meados de junho de 1907, certo dia, Robert S. S. Baden-Powell o primeiro Chefe Escoteiro do Mundo, escreveu cartas a alguns de seus velhos amigos do Exército e suas esposas que eram pais de rapazes de 11 a 14 anos, alunos de afamados colégios particulares: - Harrow, Eton, Chaerhouse e outros. Ele dizia: - Proponho-me a realizar um acampamento com 18 rapazes selecionados, para aprender escotismo durante uma semana nas férias de agosto. O acampamento por permissão generosa de C.Van Raalte, será realizado na ilha de Brownsea em Poole. E continua sua carta delineando o adestramento que os rapazes teriam e assegurando aos pais que tudo estava cuidadosamente planejado. O fornecimento de alimentos, a cozinha e as medidas sanitárias. Incluiu uma lista de material de acampamento e roupas.

                  Dias depois enviou convite semelhante às Companhias de Brigada de Rapazes (Movimento juvenil já existente) de Bournemouth, dando a três outros rapazes que fossem alunos de escolas secundárias do governo, ou empregados em fazendas ou filhos de operário. O efetivo pretendido de 18 se elevou a 21, pois todos queriam acampar com o herói de Mafeking que 217 dias defendeu esta cidade situada na Guerra dos Boers. Mas tarde B-P decidiu levar como seu “Ajudante” um sobrinho de 9 anos, órfão de pai. Convidou seu companheiro de armas o Major Kenneth McLaren para seu assistente. No anoitecer do dia 31 de julho todos os participantes do que seria o 1º Acampamento Escoteiro do Mundo se encontraram na ilha de Brownsea na costa sul da Inglaterra. Do dia seguinte em diante e durante sete dias B-P por a prova do que ele chamava “Esquema do Escotismo”.  Até hoje todos os Chefes Escoteiros do Mundo ainda podem dar aos seus escoteiros as mesmas emoções, seguindo fielmente o programa realizado no Acampamento da Ilha de Brownsea.

                     Na primeira manhã os rapazes formaram quatro Patrulhas com os mais velhos como monitores. As patrulhas receberam seus nomes e cada rapaz recebeu as fitas de Patrulha de cores distintas para por no ombro: - Maçaricos-amarelo; Corvos-vermelho; Lobos-azuis; Touro – verde. As fitas tinham 2,5cm de largura em dois pedados de 45 cm de comprimento, dobrados ao meio e pregados com alfinete de segurança sobre os ombros. Cada Monitor portava um bastão curto, com uma bandeira triangular branca tendo a silhueta de cabeça do animal de Patrulha pintada em verde. Os monitores usavam um distintivo, uma flor de lis de feltro branco na frente do boné escolar. Não havia uniformes. Cada membro da patrulha recebeu um número: - Monitor numero um, sub número 2, e assim por diante. As responsabilidades da rotina diária de trabalho foram explicadas. As Patrulhas foram localizadas no campo cada uma com uma barraca.

Histórias de um rico passado Escoteiro:

               “Os jovens foram divididos em quatro patrulhas: Corvos, Lobos, Maçaricos e Touros (assim estes foram os primeiros nomes usados por patrulhas escoteiras). As patrulhas acampavam por sua conta, sob a direção de seus próprios monitores, com total responsabilidade pela sua honra de levar adiante os desejos do Chefe e com grande eficiência”.

              “Mas as memórias mais vividas de todas eram os fogos de conselho, antes das orações e do apagar das luzes. Ao redor do fogo à noite Baden-Powell nosso Chefe nos contava algumas histórias assustadoras, conduzia ele mesmo o canto Eengonyama e com seu jeito inimitável atraia a atenção de todos”.

“Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida. Um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta ou dançando e cantando ao redor do fogo. Mostrava uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”.

             Naquele inesquecível acampamento se aprendeu a construção de abrigos, fazer colchões, acender fogo, cozinha mateira e todos se divertiam com os jogos que eles faziam. O jogo "Caça ao Urso" - Um dos rapazes maiores é o urso e tem três bases nas quais ele pode se refugiar e estar a salvo. Ele leva um pequeno balão de borracha cheio de ar nas costas. Os outros rapazes estão armados com bastões de palha amarrados por um cabo (ou jornal enrolado) e com os bastões procuram fazer estourar o balão, enquanto o urso está fora da base. O urso tem um bastão semelhante com o qual procura tirar os chapéus dos caçadores. Se isto acontecer o caçador está morto, mas o balão do urso tem de ser arrebentado para que ele seja considerado morto.

               O bivaque feito só pela Patrulha foi sensacional. As Atividades Práticas da Natureza foram demais. Relatórios de observação da natureza - “Envie suas Patrulhas para descobrirem por observação e relatarem depois, coisas como essas: Como o coelho silvestre cava sua toca? Quando um grupo de coelhos é assustado, um coelho corre apenas porque os outros correm ou olha ao redor para ver qual é o perigo, antes de também correr? Um pica-pau tira a casca para apanhar os insetos no tronco da árvore, ou apanha-os pelo buraco, ou como é que os acompanha? etc.”.

                  Baden Powell era um esplêndido contador de estórias. Tinha um espantoso estoque de anedotas sobre os heróis de todos os tempos. Para seu próprio uso, ele havia criado um código de ética, baseado nos códigos dos Cavaleiros do Rei Arthur e nas suas próprias reflexões. Agora ele pode procurar instilar nos rapazes os mesmos ideais, contando-lhes as façanhas dos heróis admirados pelos jovens e imprimindo em suas mentes a ideia de “Boa Ação Diária”.

                  Quem assistiu sentiu os grandes debates que BP teve nesta ocasião com os rapazes. Foi ali que viu cristalizar o seu pensamento e a formular um código aceitável para os rapazes: A Lei e a Promessa Escoteira. Ele experimentou jogos que lhe pareciam capazes de por em relevo e dar expressão prática aos traços de caráter que ele desejava que os rapazes possuíssem. Ele pôs à prova a lealdade e a esportividade deles em jogos de equipe com regras estritas. Pôs à prova a coragem deles com alguns golpes e chaves simples de jiu-jitsu, e a disciplina e obediência num jogo em botes - a caça à baleia.

Voltando no tempo. Brownsea. Um acampamento que ficou na história!

Baden-Powell, um homem além do seu tempo. Reviver é não esquecer nunca mais!

Abertura: - Era uma vez... Lá em Brownsea:
 - “Eu ainda posso vê-lo como ele ficava diante da luz, alerta, cheio de alegria e de vida. Um momento grave, outro alegre, respondendo todas as questões, imitando o chamado dos pássaros, mostrando como tocaiar um animal selvagem, contando uma história curta ou dançando e cantando ao redor do fogo. Mostrava uma moral, não apenas em palavras, mas usando histórias e convencendo a todos os presentes, rapazes e adultos, que estavam prontos para segui-lo em qualquer direção”. – 110 anos de Brownsea, onde tudo começou! 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Crônicas de um Chefe escoteiro. Os donos do poder.


Crônicas de um Chefe escoteiro.
Os donos do poder.

               Entra dia sai dia, vai mês entra mês e lá se foram quase setenta escoteirando. Aprendi tanto e me senti o homem mais feliz do mundo como escoteiro. Adotei uma causa maravilhosa voltada para um tipo novo de educação, através do aprender fazendo, tudo ao ar livre, no campo, fazendo coisas que nunca fiz eu costumo pensar que ainda não aprendi nada. O que adianta aprender o que é honra? Caráter? Ética e respeito? O que adianta fazer uma promessa e dizer que faremos o melhor possível para cumprir uma lei? Afinal não sou juiz e nem Salomão para julgar alguém e os que se comprazem a fazer do escotismo a sua moda esquecendo que temos uma Lei e uma Promessa.

               Tento ser autêntico, mas tem muitos que não são assim. Eles estão errados? Porque eles se julgam superiores, se colocam em um pedestal como se fossem os donos da verdade será que eles merecem nosso respeito? Pergunto-me se são escoteiros, imbuídos no espírito fraterno, no espírito de servir e a ser cortês. Abusar dos mais humildes, daqueles que se sentem indefesos e se mostram como os donos do poder é papel esperado de um líder ou um Chefe escoteiro? Hoje já velho mudei muito. Antes nunca levei desaforo para casa. Achava que se aprendi a fazer a massa e sabia fazer o pão não tinha que dar explicações a ninguém. Não é bem assim. Somos um movimento voluntariado e, portanto normas devem ser obedecidas, mas tudo sobre  a prisma da ética e do respeito pessoal.

               Até aí tudo bem estou de pleno acordo. A hierarquia tem de existir para funcionar a engrenagem do escotismo. O que não posso admitir é esta arrogância, esta falta de cortesia de amor ao próximo e principalmente o respeito. Isto é fraternidade? Abusam da autoridade com os oprimidos e não falo do poder civil, nada disto, falo do poder escoteiro. Podem até me contradizer que não existe tal poder. Será? Uma liderança que exemplarmente não dá satisfação a ninguém que decide temas que interessam a todos sem consulta se apoiam na miragem estatutárias para dizer que a organização tem normas e isto lhe dá o poder que possuem?   

              Vi na Internet um pequeno artigo de Nilton Mendonça que me chamou a atenção. Ele assim escreveu aos que pensam serem os donos da verdade e do poder. – Não quero glorias nem tão pouco me glorificar. Quero apenas o respeito! Seu respeito. Não preciso que me diga de que lado nasce o sol, eu só quero seguir a minha vida. Eu me escrevo em letras grandes, o meu EU é somente... Eu, meu nome. Quero contenta-me em viver fazendo, e sendo feliz, jogando fora as opiniões, as outras opiniões. Guarde pra você o que me diz respeito e só me fale se for realmente pra corrigir o que penso que é normal. Ele continua dizendo o que pensa sobre este poder que se acha superior a todos.

             Eu me pergunto quem são essas pessoas que dizem ser donos da verdade, donos da razão. Quem são esses que dizem ser politicamente corretos, mas não sabem nem mesmo o significado da palavra respeito e fraternidade. Quem é essa massa que na hora de decidir o futuro diz não querer saber de nada e depois ficam se perguntando quem são os responsáveis por tal baixaria? Quem são esses que não usam máscaras, mas fingem ser seu amigo e depois nem mesmo fingem lhe conhecer. Quem são essas pessoas que saem as ruas por motivos banais e fúteis e depois ficam a murmurar baixinho sua insatisfação pelo que realmente acham que é importante?

             Sei que cada capitulo que escrevi até hoje não é novo, ele já foi extinto da memória de muitos. Sempre teremos estes que se dizem escoteiros, que se acham acima do bem e do mal, que tomam atitudes não condizentes com o respeito, com a verdade, nunca olhando nos olhos e dizendo o que se deveria dizer. Está se espalhando como uma pequena epidemia em todas as camadas escoteiras que pensam que são os donos do poder e da verdade. Não vou chamá-los de ignorantes. Afinal ignorantes não são os que não sabem a verdade, ignorantes são os que se afirmam serem donos da verdade absoluta.     

             Não posso julgar a cada um que resolveu sair do Escotismo reclamando destes lideres que nem deviam estar atuando no escotismo que Baden-Powell tão bem definiu como um movimento fraterno e universal. Quando Lideres nacionais ou regionais, quando chefes de Unidades locais passam a se achar donos da verdade, a tomarem atitudes sem antes ver e ouvir a quem de direito, a se tornarem juiz sem ter poder para tal, me lembro de um líder de Gilwell Park já falecido que escreveu:


- Se nos tornarmos arrogantes, complacentes e a nos fazermos passar por demasiado auto-suficiente, então - e apenas com essas coisas - poderemos arruinar o Movimento. Feliz palavra de John Thurman. Muitos associados adultos, rapazes e moças estão saindo. Reclamam das atividades, reclamam do poder que alguns exercem sem ver a voz da razão. Precisamos meditar. E ele finaliza: - Os únicos capazes e possíveis de por o escotismo a perder são os próprios chefes e dirigentes. Nada mais a dizer!

Nota: Escrevo este artigo, copia de muitos que já escrevi no passado, pois sempre acreditei que somos um movimento ético, verdadeiro sem sonhos de poder já que nossa finalidade é gloriosa, pois estamos trabalhando com jovens pensando que eles no futuro terão tudo aquilo que acreditamos na Lei e na Promessa Escoteira. Sei que nunca devemos ter a pretensão de sermos os donos da verdade; porque as nossas verdades jamais serão unanimidade para os outros.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Uma pequena crônica pela manhã. SAPS? Deus me livre!


Uma pequena crônica pela manhã.
SAPS? Deus me livre!

                   Eu me divirto quando publico esta antiga crônica pelas mensagens recebidas. Muitos tentando explicar e outros concordando. Claro que tem lógica escrever SAPS, mas dizer a viva voz? Bem alguns já me disseram que eu devia preocupar com outras coisas e deixar o SAPS de lado. Pode ser que tenham razão. Mas tentem compreender, sou um velho chato de galocha, Criador de casos e contador de Causos! Risos. Como vivi no Tempo das Diligências não me adapto as novas tecnologias facilmente. – Chefe! Grita um. SAPS não é tecnologia, SAPS é uma abreviação de Sempre Alerta para Servir! – Bomba! Eis aí um “çabio” Escoteiro e conhecedor das missangas que na linguagem técnica usamos.

                  Outro Chefe me pergunta por que eu não gosto de dizer SAPS. – Quer saber? Já fui muitas vezes ao meu retiro espiritual no Pico do Jaraguá e subi os trezentos degraus até a torre de TV, me ajoelhei, rezei e cheguei a uma conclusão que ainda não tive uma boa explicação. Deveria ter entrado no Campo Escola do Jaraguá, mas hoje nem sei se o Prefeito vai me deixar entrar. Rarará! – Eu amo o campo escola. Lá passei lindas noites acampadas cursando e me sentindo em plena floresta amazônica. Maneira de dizer é claro. Foi então que resolvi ir até a Avenida Paulista me penitenciar e eis que me defronto com um monte de chefes, placa na mão, bandeiras da UEB ou EB sei lá, a gritar SAPS! “Eita” vida escoteira danada!

                  Deixei meu pensamento voar até Piquitiba, onde é a sede Nacional para ver se eles ainda escrevem por lá o famigerado SAPS! – Não vi nada, eles não escrevem, pois o tal SIGUE soberbo e magname se esqueceu de colocar em seus arquivos o tal SAPS. Voltei correndo para casa e fiz uma leitura dinâmica dos pensamentos e nos livros de B.P. Não achei nada relativo ao famigerado SAPS. Claro que B.P nem sabia o que era isto. Ele no seu sotaque de Lord Inglês no seu bom tom, sempre dizia BE PREPARED. Seria até divertido ele gritar no alto do BIG BEN para a escoteirada inglesa – MY BELOVED SCOUTS, SAPS! – Nada há ver, meu caro Chefe Vado. Nada há ver. SAPS é só no Brasil! Como diz o meu amigo italiano: - Porca lá miséria! Que diabos inventaram?

                Melhor é botar a “cuca” para funcionar e ver em que ano ou década, um grande e famoso “Çabio” criou tão famosa marca que nem sei porque os Uebeanos da Corte não registraram no IMPI. Sei que gostam de registrar tudo como se tivessem carta branca de Baden-Powell. Já registram Escoteiro, Indaba, Jamboree e tantas missangas que não anotei. Eureka! Opalalá! – Explicando: - Eureka é uma famosa exclamação atribuída a Arquimedes, significa efeito à realização e súbita e inesperada solução para um problema. – Foi no final da década de sessenta que um “iluminado” da EB (tem tantos lá) criou a sigla SAPS. Ainda não havia o SIGUE e os valentes do Escritório Nacional escreviam tudo a mão em uma Olivetti ou Remington para a escoteirada do Brasil. Cansado de Escrever Sempre Alerta para Servir, eis que uma luz iluminou o palco da Sede Nacional e um anjo gritou: - Escreva SAPS!               

                  Ele sabia que escrevendo SAPS precisava primeiro de explicar e correu lá no POR colocando no artigo primeiro o que significava SAPS. Ele um autêntico “çabio” dirigente viu que havia muitas siglas escoteiras e porque não fazer um dicionário? Quem sabe o que é DEN e CAN levante a mão! – risos. A maioria não sabe né chefão? Mas olhem, o tal SAPS pegou. Se espalhou por todo o Brasil, tanto que soube que um Comissário Internacional escreveu em inglês para a WOSM (outra sigla de lascar) colocando no final a sigla SAPS. O Wosmoento não sabia o que era e reuniu o Conselho Mundial para discutir e quem sabe colocar nos seus estatutos. Francamente! Se era o que queriam que a sigla SAPS se tornasse uma palavra e fosse reconhecida internacionalmente, eu fiquei “sapseado” só de ficar pensando.

                  Mas danação! A façanha do “çabio” Uebeano foi levada pelo vento aos quatro cantos do Brasil. Era gostoso dizer SAPS. Prá todo lado só se dizia e escrevia SAPS. Era SAPS aqui, SAPS ali uma profusão de SAPS que fiquei mais “sapeado” ainda com tudo isto. A preguiça tomou conta. Em vez de escrever por inteiro era melhor pronunciar SAPS. Soube que muitos ao chegarem à sede gritavam alto: - SAPS escoteirada e lobada! Um lobinho chato prá xuxu reclamou. – Akelá! E o Melhor Possível? Ela pensou, pensou e como se fosse uma “çabia dirigente” de saias colocou lá: - MPSAPS! Pois é... Agora danou-se!

                Ei! Calma aí! Não me julguem um velho desdentado e maniento! Nada disto.  Tudo bem que sou um "Velho" Escoteiro “gagá” e chato de galocha que lembra com carinho o Sempre Alerta, o Melhor Possível, o Servir, sempre dito de maneira elegante, afinada, em posição de sentido, cascos juntos, um sorriso nos lábios e uma voz cantante ao dizer aos meus amigos do movimento que encontrava. Afinal meu Chefe me ensinou que era ponto de honra ser o primeiro a dizer Sempre Alerta, ou Melhor, Possível ou Servir ao chegar à sede Escoteira. Adorava receber cartas da UEB de amigos e dependendo do ramo ele dizia: Sempre Alerta Chefe! Melhor Possível Chefe! Servir Chefe! – Já pensou receber a revistinha Sempre Alerta (bem feita, bonita e quando chegava passava de mãos em mãos) alterada na capa e em vez de Sempre Alerta terem mudado para SAPS?


                   Pensem comigo e se alguém inventa uma máquina do tempo e um “come-quieto” da EB for participar do Primeiro Jamboree na Inglaterra, chegando lá com esta vestimenta chique desbotada, camisa para fora, meinhinha vermelha, chapéu de pano e todo posudo e gritar para o chefão: - My beloved Scouts! SAPS Lord Baden-Powell! O que o nosso fundador diria? – Claro, ele diria o que alguns disseram que o falecido presidente Francês Charles De Gaulle disse: - Este Brasil não é um país sério! – Mas meu amigo, minha querida amiga se você gosta do famigerado SAPS, se você tem preguiça em dizer Sempre Alerta para Servir, se você não se preocupa na saudação gostosa da Lobada – Melhor Possível! – Então, e só então pode dizer o tal SAPS a vontade. E mesmo assim eu um velho baguelo Escoteiro grito bem alto: Abaixo o SAPS!

Nota: - - E se você adora o tal SAPS, veja o que escreveu para mim um Chefe Escoteiro: - Chefe Osvaldo, adorei suas considerações sobre o SAPS. Sempre vi como uma "burocratização" ou um mero "invencionismo" linguístico dado às saudações escoteiras, que cria certo um ar de codificação quase militar. - Às favas com SAPS e Sempre Alerta para Servir fazendo o melhor Possível. Rsrsrs. 

sábado, 22 de julho de 2017

Rafael. Um Escoteiro Segunda Classe.


Rafael.
Um Escoteiro Segunda Classe.

            Ficou dias na encosta do Morro Vermelho treinando. Conversou com muitos que conseguiram e conquistaram o direito de ficarem marcados no Livro da Patrulha. Parecia tudo muito simples, mas Rafael tinha medo. Não aquele medo de tremer, de correr de procurar um lugar para se esconder. Nada disto. Era um escoteiro Noviço e tinha orgulho da sua Patrulha Morcego. Ele olhava os segundas e primeiras classe da Tropa Escoteira e ficava imaginando como ser um. Era seu sonho. Sabia que eles tinham um olhar de vitória e seu sucesso lhes dava o brasão sonhado de serem considerados acampadores de primeira linha.

            Tinha receio que no dia chovesse ou o orvalho do entardecer o prejudicasse. Aprendeu a escolher a boa lenha, o capim certo e Josiel o ensinou a afiar seu canivete e sua faca Mundial. Seu pai lhe deu uma pedra de afiar a óleo. Josiel sorria para ele quando mostrou em um movimento circular ele passar as duas faces da lâmina de um lado e outro sobre a pedra. Rafael, quando a lâmina estiver no ponto passe ela por uma tira de cabedal polvilhada com um produto de polir. Fixe uma das pontas da tira de cabedal e estique-a bem, passando depois a faca e o canivete ao longo da tira, com o lado rombo da lâmina voltado para si e o lado cortante apertado de encontro à tira.

            Ele não tirava o olho de Josiel. Havia guardado suas palavras quando finalmente terminou dizendo: - Rafael volte à lâmina e passe-a ao longo da tira em sentido contrário, com o lado rombo voltado na direção oposta à do seu corpo. Pronto agora sua faca e o canivete ele estará pronto para uso. Rafael aprendeu e treinou o quando pode afiando as facas de cozinha de sua casa. Fez o mesmo na Casa vizinha de Dona Rute e Dona Sinhá. Ele estava pronto para o desafio para receber finalmente sua Segunda Classe.

            No acampamento Rafael escolheu um bom local para o Fogo do Conselho. Preparou tudo na véspera com pedras e areia que retirou do Córrego do Peixe para a segurança de se acender um fogo na mata. No dia do Fogo de Conselho teve licença do Monitor para a montagem final. Cortou achas pequenas e grandes, preparou dezenas de tiras de madeira cortadas como se fossem papelão com sua faca e depois preparadas com o canivete. Galhos fininhos eram expostos para uso. Encontrou próximo ao local uma toifa de Capim angola (brachiaria mutica) seca.

           O sol já estava se ponto quando Rafael terminou sua pirâmide e iniciou a montagem em volta com achas mais grossas montando em volta como se fosse uma fogueira de São João. Bocaina um Sênior Construtor de Pioneiras deu a ele as dicas de como colocar pequenas achas para que a fogueira permanecesse acesa por duas horas sem necessidade de renovar o fogo. Com muito cuidado Rafael colocou uma pequena lona para proteger do orvalho da noite e de possível neblina que pudesse prejudicar todo seu trabalho.

           Todos já haviam se aboletado em volta do futuro fogo para mais uma noitada alegre de fogo de conselho. Chefe Tomaz convidou Rafael para acender o fogo. Deu a ele um palito de fósforo e um pedaço da caixa. Sorriu para ele desejando sorte. Rafael não tremia. Suas mãos estavam firmes e se dirigiu ao fogo que tinha montado. Ajoelhou. Fechou os olhos e pediu a Deus que não o deixasse falhar na sua grande obra. O fosforo foi aceso. Devagar ele o levou a entrada da fogueira até o pequeno túnel que fez por baixo. O fosforo piscou algumas vezes querendo apagar.


           Um silêncio profundo se fez. Todos torciam por Rafael. Uma pequena fagulha clareou parcamente dentro da armação da fogueira. Pequenas chamas brotaram. Todos ficaram de pé aplaudindo Rafael. Ele conseguiu! – Uma palma escoteira ressoou logo após um grande Bravoô! – Uma Bandeira Nacional surgiu nas mãos de Coleman o Monitor. Ele a soltou segurando as pontas com as mãos. Rafael tinha os olhos rasos d’água. Com o grito da Patrulha e o Lema ele finalmente recebeu nas mãos do Chefe Tomaz sua Segunda Classe. Um dia que ficou na história para ele por toda sua vida!

Nota - Um conto para quem já foi um Escoteiro Segunda Classe. São fatos marcantes e que são recordados por toda a vida quando um escoteiro conseguia finalmente receber seu distintivo quase sempre na solenidade de uma fogueira. Algumas tropas aproveitavam para que o agraciado recebesse seu nome de guerra, pulando por três vezes sobre o fogo gritando alto o nome escolhido. Coisas do passado. Coisas que ficaram para sempre na memória de quem teve a honra de participar.